Como anda o seu inglês?

Há não muito tempo uma pessoa me procurou no IM para conversar sobre sua carreira. Ela me disse que no momento estava fazendo um curso de Java e me perguntou o que exatamente ela precisava para trabalhar numa empresa como o Yahoo!. Conversamos sobre algumas coisas até que perguntei sobre seu inglês. Para minha surpresa, ela disse que o curso de inglês iria ter que esperar um pouco porque naquele momento ela estava priorizando o curso de Java…

Se você está numa situação parecida, faça o seguinte: pare tudo que você está fazendo e vá aprender inglês. Sério, no nosso mercado é muito, mas muito mais importante do que você pode imaginar.

Em primeiro lugar, alguns dos melhores livros existentes só estão disponíveis em inglês. Poucos títulos são traduzidos e quando são levam alguns meses (ou anos) para tal, isso sem contar que as traduções muitas vezes são ruins. Por exemplo, o Domain-Driven Design do Eric Evans levou aproximadamente 5 anos para ser traduzido, o Patterns of Enterprise Application Architecture do Martin Fowler levou 4 anos, e por aí vai. Hoje em dia o tempo é menor que isso, mas mesmo assim é muito tempo. Ou seja, você não só vai ficar alguns meses (ou anos) para trás como também corre o risco de não ter acesso a uma boa parte do conteúdo mais relevante disponível.

Em segundo lugar, os grandes players de TI publicam seus blogs em inglês – assim como vários dos desenvolvedores mais influentes no mercado. De forma alguma estou desmerecendo os blogs em português (como esse aqui), mas grandes nomes como Robert Martin, Alistair Cockburn, Kent Beck – e mais algumas dezenas que eu poderia citar – escrevem em inglês. Isso sem contar as dúzias de blogs como o TechCrunch, Mashable, High Scalability ou até mesmo o xkcd. Se você não entende inglês você não poderá aproveitar todo esse conteúdo.

Em terceiro lugar, a maioria dos projetos Open Source relevantes são em inglês. Por exemplo, você está acompanhando o desenvolvimento do Node.js? Você já estudou Clojure? E o Rails 3? Linux? Python? Projetos da Apache Foundation? Se você já brincou com alguma dessas coisas (ou todas) certamente foi porque você sabe inglês. E você pode não somente usar essas coisas para desenvolver como também estudar os códigos para entender como funcionam ou contribuir com os projetos. Enfim, um mundo gigantesco de oportunidades.

Eu poderia dar mais um monte de motivos – como dizer que a maioria dos lugares mais relevantes que todo mundo gostaria de trabalhar vão exigir que você saiba inglês – mas acho que só isso já é mais do que suficiente. Inglês é uma das coisas mais essenciais para profissionais de desenvolvimento de software e você não pode ignorar isso. Corra atrás e aprenda inglês “pra ontem”, essa é sua prioridade número um!

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47 Responses to “Como anda o seu inglês?”

  1. Grande GC,
    Apoiado! Tenho dito isso para as pessoas também já há algum tempo.
    Abraço.

  2. andrehjr says:

    Se você já sabe inglês, e quer aprender uma terceira lingua.

    Qual seria uma interessante?

  3. Daniel Docki says:

    é eu me viro no inglês, mas não sei fluente ainda e acho que só com um curso realmente para melhorar isso.

    • Por questões financeiras, não tive a oportunidade de estudar Inglês na adolescência. O único contato com a língua foi no colégio, e inglês de escola pública é só verbo to be. Tive duas disciplinas de inglês na faculdade e continuaram sendo meia boca. Infelizmente só fui descobrir da importância do inglês em TI, quando perdi a oportunidade de trabalhar na Dell. Fui reprovado já na entrevista por telefone.

      Tive que começar a estudar o inglês na marra quando a empresa onde eu trabalhava pediu na época para eu estudar para a certificação do SQL Server 2000 da Microsoft, e todo o material e provas eram em inglês. Então lia a documentação com um dicionário instalado no computador e consultava todas as palavras que não conhecia, acreditem, eram a maioria. Depois que diminuiu o número de consultas ao dicionário, e tava com grana, entrei em um curso de inglês intensivo, para aprender gramática, tempos verbais, etc.

      Hoje leio de tudo, escrevo em fóruns em inglês, assisto palestras, mas o que ainda pega é o speaking. Estou planejando um intercâmbio de uns 2 meses no ano que vem, para destravar na conversação. Para trabalhar no Brasil, a leitura e escrita já bastam, mas se pensa em trabalhar para empresas de fora, dar palestras lá fora, etc. Chegar a fluência é essencial.

      Acho que o Inglês deveria ter uma atenção maior nos cursos de computação, pois é a principal ferramenta de trabalho de quem trabalha com TI. Pra quem ainda estuda Inglês, seguem alguns links que podem ajudar:
      http://www.englishexperts.com.br
      http://englishpod.com
      http://www.eslpod.com

  4. Claudio Figueiredo says:

    Uma razão bem simples para aprender inglês é a leitura sintática.

    Se você não sabe que if.. then.. else.. é se.. então.. senão.. tudo vira decoreba.
    Quando se passa a LER a LINGUAGEM tudo é mais fácil. Em QUALQUER linguagem de programação. ;)

    abs,
    jc

    • Felipe says:

      Concordo com cada letra. Me viro bem em inglês mas ainda vou fazer um bom curso pra ficar 100%. E o que você disse sobre realmente ler a linguagem é perfeito. Quando o programador aprendeu mais na base da decoreba é nítido que a lógica dele é minada pela falta da compreensão exata do que está escrevendo.

  5. Meu inglês é favorável, exceto na fala. Leitura e escrita sou bem tranquilo.

    Meu curso de inglês é algo que infelizmente ainda não tive como realizar. Mas pretendo em no máximo 6 meses iniciar…

  6. Lá em 2003 quando ainda estava na faculdade, tive um professor que dizia exatamente o que você fala neste post.

    A maioria dos meus colegas achou que ele estava de sacanagem e levou o cara na brincadeira. Eu terminei a faculdade, larguei o emprego e fui morar na Inglaterra.

    Um novo mundo se abriu. Recomendo.

  7. Iraê says:

    Mandou muito bem no post! Concordo plenamente e eu não poderia explicar melhor!

    Será que se eu passar esse post pra galera páram de achar que eu estava brincando quando falei que era essencial?

  8. Eduardo Nunes says:

    Aprenda espanhol também. O mercado da América Latina agradece… e você não vai reclamar de tantas ofertas. :-)

  9. Concordo plenamente.

    No TDC tive a oportunidade de conversar, junto com alguns amigos, com um garoto com seus 16 que queria se tornar programador e estava procurando saber se era melhor fazer Engenharia ou Ciência da Computação. Não conseguimos chegar em um consenso se era mais vantajoso a ele fazer um curso ou outro, mas um conselho que eu dei a ele que todos os outros concordaram é: “Saiba inglês éfundamental para seguir carreira de TI, seja para estudar, seja para postar um dúvida em uma lista de discussão ou seja para assistir uma palestra”.

    Muito bom o post e concordo com o que você sugeriu a essa pessoa.

  10. Junior says:

    Adicionaria como outro bom motivo poder assistir videos de palestras de grandes nomes e que geralmente so estão disponiveis em ingles.

  11. Excelente post.
    Enfrento este problema sempre que disponho de novas vagas para nossa equipe e o requisito que mais dificulta é o Inglês.
    O pessoal precisa acordar para esta realidade.

  12. camilo lopes says:

    grande Guilherme,
    excelente post, eu fiz isso 2 anos atras, todos falaram que eu era louco, abandonei tudo para fazer um programa de imersao no ingles. E venho estudando desde de 2008, e a dedicacao com java devo confessar era menos que o ingles, minha vida era tudo em english. Fiz curso particular com professor em uma escola, gastei..opsss investir uma boa grande so aqui no Brasil girou em torno de uns 10k isso para ter um ingles suficiente para viajar e se virar bem la fora, algo como upper-intermediate em dois ano começando do zero mesmo.foi um trabalho duro, sofrido, tive que abrir mão de muitas coisas, e tive um desafio trabalhar na IBM em um projeto internacional, fiquei por dois anos e la aproveitava tudo que poderia com o idioma, e como vc falou, respondo diretio: “trabalhar na ibm, ingles é a lingua, antes do java, C ou qualquer outra coisa que tem lingua na palavra”. E recentemente tive que fazer o desligamento da companhia e fui la testar o ingles na pele, no dia-dia e passar a viver com os nativos, fiz um intercambio que foi a melhor experiencia que tive na minha vida e neste post http://blog.camilolopes.com.br/experiencianewzealand/ falo um pouco, apesar de ja ter um contato na ibm com os nativos mas era virtual, eh bem diferente que ficar 24 hrs full time no país sem poder falar portugues.
    E hj vejo que nao errei, pois agora posso adiantar meu conhecimento com java uma vez que tenho mais livros disponiveis, e nao dependo mais das traducoes, posso ler 1 livro por semana e aprender um framework por exemplo e dai desenvolver na pratica o que faltar.Um amigo mais experiencia falou, aprender um idioma leva tempo, porem aprender algo tecnico nao demanda tanto tempo que um idioma. As chances de vc falhar na sua area tecnica é minima. Porem, no idioma sao grandes. E nesse processo, qtas vezes eu pensei em desistir do ingles? mas, os sonhos e objetivos eram maiores e nao permitiu isso.
    Parabens pelo post!!! abracos.

  13. Chester says:

    Concordo plenamente – tanto que dei o mesmo recado (de forma mais sintética) aqui: http://chester.blog.br/archives/2009/11/a-linguagem-mais-importante-para-um-programador.html

  14. amaral says:

    concordo plenamente com vc, pois além de tudo todas as linguagens de programacao sao em ingles. Nessas horas, por exemplo, quando o cidadao se depara diante de termos inéditos para ele, como ‘trim’,'out of bounds’, fetch’ etc, ele ja terá uma ideia do que isso significa só pelo fato dele saber ingles.

    Amaral

  15. Venho dando esta mesma dica há algum tempo.
    Além disto, empresas multi nacionais exigem muito mais Inglês do que conhecimento em programação hoje em dia. Na HP deixamos de contratar muito gente boa porque não tinha Inglês.
    Um dev dedicado, em um ambiente com devs seniors, torna-se sênior em menos de um ano. Por outro lado, pra adquirir fluência em Inglês leva-se em média 4 anos. Cientes disto, multi nacionais preferem investir em treinamento de TI ao invés de inglês.

    Pessoalmente, me manter atualizado em tecnologia ajudou bastante minha carreira em TI, mas falar inglês ajudou MUITO mais.

    Parabéns pelo post.

    • É verdade, acabei não colocando isso no post mas também aconteceu aqui no Yahoo!.

      No início do ano abrimos algumas vagas para o meu time e deixamos de contratar (e entrevistar) diversas pessoas por elas não saberem inglês. No nosso caso aqui é pior ainda porque ficamos o tempo todo em contato com gente de fora, então é essencial não somente saber ler e escrever como também entender e falar.

  16. O inglês é importante, mas alguém que escreve português quase igual a um semi-analfabeto não tem crédito no mercado, pois não consegue se expressar no próprio idioma nativo, imagine em outro. Tem muita gente que me perguntou se valia a pena fazer inglês e eu sugeri um curso de redação antes…

  17. camilo lopes says:

    com certeza fernando, saber se expressar em sua lingua materna, é importante, mas lembre-se que o português não é uma lingua fácil como o inglês. nossa gramática não uma das melhores. E essa de dizer que primeiro aprender sua lingua materna antes do inglês nao faz maior sentindo, pois vc nao deve associar sua lingua com a outra. Vc nao deve fazer tradução qdo estiver falando ou escrevendo no segundo idioma, tem que usar a lingua como ela é, sem pensar na sua. Vc pode dizer que eh dificil, pq o nosso português tem algumas coisas parecidas. Agora eu pergunto e o japones, o que tem de comum com inglês? nada. E uma coisa que percebi no meu intercambio, é que os japoneses, coreanos, eram os melhores em termo de escrita e conversação em termo de usar a regra gramatical(pronuncia nao era tão, mas ter uma boa pronuncia leva anos). Isso pq para eles, tudo é novo e dificilmente dar para fazer associação, até o alfabeto é diferente. Porém, nos brasileiros há momentos de conflitos, pela semelhança q temos. Então não é requisito isso. Umas diferenças que vejo entre port x ingles sao:
    - inglês para escrita é melhor que o português, porém para conversação não é tão fácil assim, pq nem sempre a pronuncia é da forma que está escrita;
    - o português a escrita não tem uma curva de aprendizado fácil, mas tem termo de comunicação é mais fácil. Fala como vc ver.
    flw!

  18. Ismael says:

    Parabéns pela iniciativa Guilherme.

  19. Adriano Rosa says:

    Excelente artigo GC

    Aprender Inglês não é perda de tempo, como já ouvi falar, ainda mais em TI isso é investimento na sua carreira profissional, para quem quiser se destacar no mercado o ingles é o diferencial.

    uma coisa que sempre falo, junta grana e vai estudar ingles fora pois ao inves de ficar cinco anos fazendo cursinho para falar ingles uma hora por semana voce pode investir o mesmo valor em 6 meses falando bem e ter tempo para estudar outras coisas…

  20. Davis says:

    Pois é. Não consigo imaginar um profissional de TI que não entenda de inglês.

    Quem escreve duas rotininhas, ou mesmo um programa de video locadora, mas não fala inglês, não é um profissional de TI.

    O material disponível, as fontes, os projetos mais recentes, os principais desenvolvedores… tudo está em inglês.

    Um aviso aos programadores que não sabem inglês e decidiram investir nisso após a leitura desse post: preste atenção onde vai fazer isso.

    Não raro você vê gente tirando diplominha de escola de inglês franqueada, ou mesmo se formando em letras nas faculdades praticulares, e não dominando o idioma, seja a gramática, a ortografia ou a fala.

    Até mesmo pelo perfil dos programadores brasileiros, que são autodidatas em sua maioria, pelo menos no início, o mesmo vale para línguas. Tente começar sozinho.

    Eu trabalhei 3 anos dentro da IBM. Estou falando isso por experiência própria. Comece dominando a leitura e escrita, incluindo os termos comuns da programação. Um inglês, autraliano ou americano que não seja da área de TI não vai entender “static function”. Ou seja, mesmo um professor nativo, particular, não será capaz de te ensinar os termos do nicho.

    Falar inglês é importante para as multinacionais, congressos internacionais, ou se você que ir trabalhar fora. O importante para quem está começando, é aprender a ler e escrever o básico, e criar a cultura de ir atrás do que não sabe com o mesmo afinco que o faz quando quer aprender alguma técnica de programação.

  21. Marcelo Cajueiro says:

    Ótimo post e comentários, que viraram uma extensão.

    Estou começando agora a focar no inglês e uma dificuldade que estou encontrando é algo para aprender primeiro a ler e escreve, para só depois, partir para a fala e escrita.
    O que mais vemos são cursos do tipo: aprenda X palavras por dia, escrevendo, lendo, falando e escutando. Fora os textos estudados que são, geralmente, diálogos.

    Escutar e falar creio que tem maior produtividade após saber ler e escrever.

    Alguém recomenda um bom livro ou curso focado na leitura?
    Preciso urgentemente ler livros em inglês e meus métodos atuais não estão muito proveitosos.

    Grande abraço,

    Marcelo Cajueiro

  22. Guilherme,

    Eu bem que tentei me conter e escrever um simples comentário. Mas, ficou grande demais e virou um post:

    http://blog.improveit.com.br/articles/2010/10/07/como-anda-seu-ingles-como-assim

    Foi ótimo você ter levantado essa questão. O que me entristece profundamente é que, em pleno 2010, esse tipo de questão ainda tenha que ser levantada. Em todo caso, ótima iniciativa!

    Grande abraço,

    Vinícius Teles

    • Show!

      Realmente é um absurdo que em 2010 a gente ainda precise falar disso, mas fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que entrevistei recentemente que não sabem inglês. E pior ainda, muitas dessas pessoas não fazem idéia do quanto isso é importante, o que é mais absurdo ainda.

      [ ]s!

  23. Daniel Wildt says:

    Alguns alunos meus tinham problemas em ler artigos em inglês. Quando um colega deles foi contratado por uma multinacional, e tomou um susto com o inglês, e começou a fazer 4 horas de aula por semana para conseguir “se adaptar”, os colegas não tiveram mais problemas em ler artigos em inglês. Precisou alguém tomar uma porrada do mercado para as coisas mudarem.

    Muitas pessoas não estão preocupadas com isto, vão procurar empregos em empresas “brasileiras”, mas estas empresas brasileiras se ainda não estão pensando, vão começar a pensar em abrir suas portas para o mundo.

    Da mesma forma, algumas pessoas não se preocupam em conhecer técnicas diferentes da engenharia de software, não se preocupam em aprender novas linguagens de programação, e nem mesmo se preocupam em ler, que seja em português, nem que seja um gibi qualquer. Logo, a qualidade da escrita é horrível.

    Será cada vez mais difícil viver no mundo sem falar outros idiomas. O inglês é um legal para se garantir.

    E @viniciusteles, muito show o teu post também.

    Abraço a todos!

    As minhas dicas são:

    a) Participe de listas de discussão internacionais, e garanta pelo menos 1 post por dia, respondendo alguma thread, participando de discussões.

    b) Crie um blog, escreva em inglês.

    c) Ache um “mentor”, alguém que possa revisar seus textos. Não tenha medo de errar, mas também evite queimar sua imagem. :-)

    d) Escreva código e comentários em inglês. Crie e participe de projetos opensource.

    e) Faça apresentações em inglês

    f) Crie oportunidades, para palestrar fora do Brasil. Nunca palestrou. Comece palestrando no Brasil e coloque meta de palestrar em um evento internacional.

    Ou seja, ao fazer estas ações, certamente você vai se tornar um profissional melhor.

    @gc, depois eu copio isto aqui e faço virar um post… :-)

  24. André Silva says:

    Ótimo post Guilherme, mas gostaria de contar minha história particular para você e o Vinicius Teles.

    Vim de uma família de classe Média (média mesmo) e sempre estudei minha vida inteira em escola pública. Minha família não tinha mtas condições de pagar um curso de inglês.

    Quando tinha uns 12 anos, ganhei uma bolsa e durante 1 ano fiz o curso básico de Inglês. Só que passar para o Intermediário exigia um aumento de valor que não tinha como minha família ou eu mesmo bancar. Então contratamos um professor particular, segui estudando por alguns meses até que o professor particular teve que se mudar de cidade.

    Por alguns problemas de família não deu mais para investir no inglês como deveria.

    Aos 17 anos qdo estava na faculdade, achei que conseguiria agora que trabalhava enfim fazer os cursos de inglês. Engano meu, lá vem a vida “pregar peças” novamente. Separação de pais, briga de família e todo o fundo que tinha usei para fins familiares.

    Mas então resolvi tomar uma atitude, comprei um dicionário e comecei a ler textos em inglês e estudar as palavras. Comecei também apenas a só assistir filmes, seriados ou qualquer coisa legendado, e depois assistia várias vezes sem legenda para “memorizar” as palavras.

    Hoje tenho 22 anos, tenho um inglês maios ou menos para leitura e mto pouca fluência para a fala.

    Só gostaria de deixar expressado aqui uma coisa, nem sempre a vontade de aprender algo é importante. As vezes outras coisas acontecem que nós impedem de fazermos aquilo que realmente queremos.

    Como um amigo citou, hoje um curso completo de inglês de duração ai de 4 anos saí no mínimo por 10~15 mil reais dependendo do lugar.

    E pra quem a família depende de você tirar 10~15 mil reais não é fácil, mto menos simples!

    Não acho que culpar a pessoa ou profissional sem saber o que realmente se passou para ele não ter inglês. Fora que o Inglês ensinado nas escolas públicas e particulares (algumas) é fraco, além de algumas escolas de idiomas visarem só dinheiro e ensinarem um conteúdo fraco também prejudica.

    Acho que jogar a culpa só pra cima do profissional não é o caminho, temos que ver que o errado está no processo educacional do Brasil. Que dentro de 4 anos sediará uma Copa e logo depois uma Olimpiada. Ai eu te pergunto, as escolas estão preparadas para formarem alunos fluentes em Inglês? NÃO! E como será feito? Isso cabe em uma outra discussão.

    Fico um pouco triste de ouvir que as empresas eliminam pessoas que não tem inglês. Mas por quê não avaliarem a capacidade de aprendizado deles? Será que não pode existir um dentre esses que possa com o trabalho e a “obrigação” aprender inglês na marra? Por que também vocês não começem a mudar esse ponto?

    Acho a crítica muito bem vinda, mas acho que apenas críticar é errado, soluções de ambas as partes devem vir.

    Sou da linha de as empresas não devem esperar profissionais prontos, e sim profissionais empenhados e capacitados a aprenderem não só linguagem de programação mas também outras inglês (Inglês, Mandarin, etc).

    Espero ter passado o meu ponto de vista.

    Só gostaria de reforçar que nem todos no Brasil tem ou tiveram oportunidades, vivemos com uma barreira social e econômica muito grande. E pra quem nasce do lado mais fraco dessa barreira, pular o muro é muito complicado. Pensem nisso.

    • Oi André,

      Acredito que existam dezenas (centenas? milhares?) de casos como o seu. Nesse caso realmente é mais complicado culpar o profissional por não saber inglês, já que ele pode ter tentado de todas as formas possíveis e não ter conseguido. Mas mesmo assim ele tem que seguir em frente e continuar tentando. Se ele quer trabalhar com TI, ele precisa ter em mente que isso é essencial para a carreira dele.

      O objetivo do meu post não é entrar em questões sociais ou econômicas das pessoas. Não que elas não sejam importantes, o que acontece é que o meu foco é outro. Meu foco é mostrar para os profissionais o quanto é importante saber inglês para trabalhar nesse mercado, nada além disso. As questões sociais e de oportunidade entram em outra discussão.

      Sobre você achar errado eu eliminar pessoas porque elas não sabem inglês, vou te contar como funciona aqui no Yahoo!. Para começar, todo e qualquer e-mail que a gente manda é em inglês. Se eu precisar rebootar uma máquina no datacenter, quem faz é alguém nos EUA. Se eu precisar de um “alias” de e-mail, é alguém na India que faz. Se eu quiser tirar dúvidas sobre como funciona o sistema de busca interna, é alguém na California/EUA que vai me ajudar. Se eu precisar pedir patrocínio para ir palestrar em alguém evento ou patrocinar alguma conferência, é um cara em Londres que me ajuda. Fora esse lance dos e-mails, nós estamos em contato constantemente com gente lá de fora, seja falando por telefone, seja indo lá ou recebendo-os quando eles vem aqui. Ou seja, simplemente não é possível alguém trabalhar aqui sequer uma semana se não souber inglês. Isso é fato. E olha, eu não estou nem falando sobre as coisas que citei no post (acesso a conteúdo, livros, blogs, etc), estou apenas falando de como a empresa funciona.

      O que eu quero te mostrar é que você não pode ficar triste com isso. Não faz sentido. Nós não podemos aceitar profissionais que “tenham uma excelente capacidade de aprendizado” mas que não saibam inglês, simples assim. Simplesmente não funcionaria.

      Mas para te dar um exemplo de como aceitamos profissionais empenhados, contratamos recentemente um cara que é ninja em PHP e não saca NADA de Python e de várias outras coisas que fazemos. Nós não deixamos de contratá-lo porque ele não sabe um monte de coisas. Pelo contrário, ele foi contratado justamente porque apesar de não saber tudo isso ele tem uma capacidade gigantesca de aprender, é interessado e pró-ativo. Não só aqui no Yahoo! como em TODAS as outras empresas que trabalhei até hoje fazem assim. O que acontece é que tem coisas que são opcionais (ou seja, você pode contratar alguém que tenha determinado conhecimento ou não) e coisas que não são opcionais (ou seja, você NÃO tem como contratar o cara se ele não souber determinado assunto).

      Por exemplo, eu não poderia contratar um médico que não soubesse de medicina. Eu não contrataria um advogado que não soubesse das leis. Mas eu posso contratar médicos e advogados que não saibam exatamente trabalhar no processo da minha empresa, ou que não entendam as nossas burocracias internas, mas com a certeza de que eles são competentes e vão aprender como as coisas funcionam aqui. Aqui mesmo no Yahoo! tem casos desse tipo. Por exemplo, tem várias pessoas da área comercial que existem única e exclusivamente para fazer o trabalho de relacionamento com clientes no Brasil (e somente no Brasil). Neste caso o inglês não é tão essencial como no nosso da Engenharia/Desenvolvimento.

      Enfim, o que eu quero mostrar é que para o Yahoo! (e para outras empresas) há conhecimentos que são opcionais e conhecimentos que não são. Não é uma questão de “só querermos profissionais prontos”. Acho que você está misturando um pouco as coisas.

      Para concluir, entendo que o Brasil tem diversos problemas estruturais, desde problemas sociais até educação e tudo mais que a gente já sabe. Isso é um dado do problema. Podemos fazer uma das duas coisas à seguir: (1) usar isso como justificativa/desculpa ou (2) não ficar se lamentando e correr atrás para vencer na vida. Veja, de forma alguma quero ser rude ou insensível. Sei que é uma opinião dura e que é muito mais fácil falar do que fazer, mas infelizmente a realidade do Brasil está aí e nao há muito que possamos fazer para mudar (pelo menos no curto/médio prazo). Ou as pessoas correm atrás ou não vão conseguir vencer na vida. Lamentar sobre essa situação não vai resolver o problema.

      Tenho certeza que se você tiver vontade e se esforçar vai conseguir trabalhar, juntar dinheiro, fazer um curso e trabalhar em qualquer lugar que tiver vontade (ou ter a sua própria empresa). Quem tem garra e vontade chega aonde quiser!

      [ ]s, gc

      • André Silva says:

        Fique tranquilo Guilherme sobre os profissionais prontos, não me referi diretamente a Yahoo. Digo isso a outras empresas, que no caso existem coisas opcionais mas exigem um currículo “pronto”. Empresas como Yahoo, IBM e outras que trabalham diretamente com os EUA são “obrigadas” a terem inglês e não está errado, afinal é uma das coisas ele terá que fazer. Estou me referindo a várias empresas nacionais que não tem mercado externo, mas exigem inglês simplesmente pq querem “seguir o padrão de mercado” de seleções. Esse é o meu alvo de crítica.

        Sobre os problemas do Brasil, pelo menos eu nunca fico parado esperando acontecer. Corro atrás e procuro sempre melhorar.

        Hoje fico um pouco triste em não saber inglês como poderia, mas isso não me impede de continuar estudando. Pelo contrário me anima a isso.

        Por que eu levantei esse comentário? Talvez alguns profissionais que assim como eu não tive a oportunidade de fazer um curso de inglês ou morar fora, vejam nessa dicussão um “espelho” para não desisterem. Existem pessoas muitos sentimentalistas que ao ler seu post, levariam para o lado pessoal como se ela não fosse capaz. É isso que eu queria deixar claro, todos somos capazes.

        Só não “concordo” novamente com as empresas “nacionais” exigindo inglês em seus currículos sendo que nem clientes fora do Brasil elas tem.

        Outro ponto é que o mercado de TI está em falta de profissionais, se analisarmos esse dado vemos que a maioria é recusada por não ter inglês. E continuaremos tendo essa falta no mercado. O Mercado quer exigir inglês, mas não querem capacitar/investir pessoas para tal.

        Obrigado por compartilhar conosco suas opiniões ;)

      • André Silva says:

        Só queria acrescentar algo que lembrei agora.

        Recentemente vi alguns documentários e livros da Pixar e seu modo de trabalho.

        Uma das coisas que me chamou a atenção, era que a Pixar viu que não teria profissionais dentro de um período de tempo que atendesse as necessidades da empresa.

        Então criaram diversos mecanismos para ensinar/capacitar as pessoas para que no futuro próximo/distante, elas pudessem antender as demandas da Pixar.

        Hoje vejo poucas empresas fazerem isso aqui no Brasil. Vejo a Caelum, Improve It e outras preocupadas em estar junto/apoiando as comunidades no ensino de outras pessoas.

        Quando digo empresas nacionais, são empresas que não fazem esse papel e exigem um profissional pronto. O que digamos a verdade, é a maioria no cenário nacional. Infelizmente.

        Mas em breve mudaremos isso.

  25. Emerson says:

    Muito bem colocado.
    No Estado onde moro, pelo menos até que o governo mude, sempre foi possível conseguir esse conhecimento. Até a universidade federal oferece cursos com ótimos professores e a preços simbólicos.
    Conheci uma pessoa que fazia faculdade à noite e aos sábados ia para o curso de inglês do CELIN (Centro de Línguas). Não tinha dinheiro nem para o ônibus (senão ficava sem almoço, o que até aconteceu um dia para não chegar atrasado!) e andava uns 10km à pé. Até que o professor descobriu e foi feito um acordo entre os outros alunos para bancarmos o valê-transporte dele. Era de família pobre e sempre estudou em escola pública. Se formou na faculdade e continuou o curso até o fim. Foi melhor que eu no TOEFL. Depois de um tempo conseguiu um emprego numa empresa e foi parar na China. Hoje está de volta e bem empregado e pode se dizer que está muito bem de vida. Disse que se não fosse o curso de inglês, fora a faculdade é claro, não teria a oportunidade que teve.

  26. Lembrando que o livro Test Driven Development do Kent Beck até hoje não foi traduzido, e já tem o que? Uma decada?

  27. Muito bom GC. Concordo principalmente quando vc fala sobre problemas de tradução de livros técnicos para português. Escrevi sobre isso há algum tempo:

    http://blog.guilhermegarnier.com/2009/07/livros-tecnicos-traduzidos-nunca-mais/

  28. [...] seu blog, Guilherme Chapiewski fez um excelente post sobre o assunto. Concordo com cada frase. Eu aprendi a ler em inglês desde moleque, comprando [...]

  29. Já sofri bastante para aprender Python quando eu não entendi nada de inglês, mas depois de apanhar muito resolvi me dedicar ao inglês para depois dar continuidade ao estudo da linguagem Python em sí.

    Tenho um problema muito grande com conversação ainda mas ando estudando bastante, ainda mais que os projetos que eu estou ajudando requer isso.

  30. [...] afiado, você pode conseguir emprego não somente no Brasil mas praticamente no mundo todo. O Guilherme Chapiewski nos dá outros [...]

  31. [...] texto, principalmente aos aspirantes a Analista de Sistemas: Troque o Java pelo inglês [...]

  32. [...] fonte/créditos: http://gc.blog.br/2010/10/05/como-anda-o-seu-ingles/ [...]

  33. [...] livro. Infelizmente, ainda não há tradução deste livro. Se não tem dificuldades com inglês (como anda o seu inglês?), eu recomendo. Se o idioma é um fator limitante, este uma versão traduzida do livro Aprendendo [...]

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