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Mais 10 livros recomendados para desenvolvedores

Monday, March 3rd, 2014

Lá atrás em 2008 escrevi um post sobre 10 livros recomendados para desenvolvedores. Na época o post foi bastante popular e eu sempre pensei em escrever uma continuação, que acabei nunca fazendo.

Enfim, a hora chegou e aqui vai mais uma lista de outros 10 livros recomendados para desenvolvedores! Mas antes disso, alguns detalhes sobre como cheguei nessa lista:

Por que apenas 10 livros e não 20 ou 30? Não sei dizer – o primeiro post foi assim então vou continuar. :) O bom é que isso me deixa uma quantidade de livros mais do que suficiente para no futuro escrever vários posts!

Por que essa lista tem livros sobre “processos” como Kanban ou Lean? Não era para ser livros para desenvolvedores? Não tenho pretensão de escrever aqui uma lista definitiva e restrita a apenas um tópico, mas sim listar alguns livros que pessoalmente acho importantes para desenvolvedores de software e que me marcaram de alguma forma. Nosso trabalho não é só programar direito mas também saber se organizar (ou organizar um time) para que se entregue mais software, com mais qualidade e em tempo recorde, portanto acho esses tópicos super importantes.

Por que um livro sobre JavaScript e nenhum sobre Ruby, Python, Java ou qualquer outra? Tem alguma preferência de linguagens rolando aí? Não tem preferência não. O “Good Parts” é sensacional porquê me fez entender e respeitar JavaScript de um jeito completamente diferente. Não acredita? Leia o livro então! Acha que é perda de tempo? Eu acho que não, JavaScript hoje em dia é uma das linguagens mais populares e é indispensável conhecê-la bem para fazer desde um simples website como este blog até gigantes como Yahoo e Facebook.

Por que todos os livros são em inglês? 99% de toda a literatura relevante de tecnologia é em inglês e em muitos casos não há tradução disponível, portanto se você ainda não está craque, pule esta lista e vá urgentemente aprender inglês antes de mais nada! De todas as linguagens (de programação ou não) que você pode pensar em aprender, essa é provavelmente a mais importante.

Clean Code: A Handbook of Agile Software Craftsmanship Clean Code: A Handbook of Agile Software Craftsmanship
Robert C. Martin
Test Driven Development: By Example Test Driven Development: By Example
Kent Beck
Growing Object-Oriented Software, Guided by Tests Growing Object-Oriented Software, Guided by Tests
Steve Freeman e Nat Pryce
Code Complete: A Practical Handbook of Software Construction Code Complete: A Practical Handbook of Software Construction
Steve McConnell
Working Effectively with Legacy Code Working Effectively with Legacy Code
Michael Feathers
JavaScript: The Good Parts JavaScript: The Good Parts
Douglas Crockford
Kanban: Successful Evolutionary Change for Your Technology Business Kanban: Successful Evolutionary Change for Your Technology Business
David J. Anderson
Lean Software Development: An Agile Toolkit Lean Software Development: An Agile Toolkit
Mary Poppendieck e Tom Poppendieck
The Lean Startup: How Today The Lean Startup: How Today’s Entrepreneurs Use Continuous Innovation to Create Radically Successful Businesses
Eric Ries
Continuous Delivery: Reliable Software Releases through Build, Test, and Deployment Automation Continuous Delivery: Reliable Software Releases through Build, Test, and Deployment Automation
Jez Humble e David Farley

Estamos contratando no Yahoo! Brasil

Thursday, November 18th, 2010

Estamos contratando desenvolvedores para o Yahoo! Brasil!

Nosso time é responsável pelo desenvolvimento e manutenção do Yahoo! Meme. Para trabalhar conosco é imprescindível ser faixa preta em Python, PHP ou JavaScript e conhecer pelo menos uma segunda outra dessas três. Mesmo sendo essas as principais linguagens que usamos por aqui, precisamos de desenvolvedores multidisciplinares que saibam usar diferentes tipos de ferramentas – porque nunca sabemos quais produtos virão no futuro e que tipos de vantagens poderemos ter usando ferramentas diferentes.

Tão ou mais importante do que isso é ter ótimos conhecimentos sobre desenvolvimento ágil (especialmente XP), conhecer ferramentas de testes unitários, ser capaz de trabalhar com TDD, entender sobre CI e a sua importância, automatização de rotinas/build/etc., melhores práticas de desenvolvimento de software, Orientação à Objetos, Domain-Driven Design e tudo mais que puder ser relevante para ajudar a construir software confiável e manutenível de forma rápida e com ritmo/qualidade sustentável. Experiência com automatização de testes com Selenium ou Webdriver também é essencial. Como trabalhamos com web, também é necessário ter conhecimento em HTML, CSS e desenvolvimento de aplicações cross-browser.

Como desenvolvemos produtos de escala mundial, é necessário ter experiência com aplicações de alta performance e disponibilidade, identificação e otimização de gargalos de performance, escalabilidade, caching e sharding. É importante também ter bons conhecimentos de pelo menos um tipo de Unix e seus derivados.

Conhecimentos em C, C++, arquitetura de serviços, desenvolvimento de mashups, experiência com uso e desenvolvimento de APIs (REST, YQL, etc.) e experiência em desenvolvimento para iPhone/iPad são bons diferenciais, porém não são requeridos.

Para estas posições é necessário saber inglês bem, o que quer dizer que você deve ser capaz de conversar e ler/escrever em inglês sem problemas (e eventualmente ser entrevistado em inglês caso necessário).

Estamos procurando por pessoas criativas, que gostem de inovação, de pesquisar e identificar novas tendências e de encarar desafios complexos com agilidade e velocidade. Nosso time é pequeno, jovem e nosso ambiente está em constante mudança e evolução. Queremos pessoas irreverentes, que gostem de desafios, com idéias novas e com vontade de criar produtos incríveis!

A empresa oferece contratação apenas por CLT e benefícios como plano de saúde e vale refeição. Estamos localizados na Vila Olímpia em São Paulo. Geralmente contratamos pessoas de outros estados, mas desta vez infelizmente só estamos contratando pessoas de São Paulo/Capital. Update: Voltamos a contratar pessoas pessoas de outros estados e oferecemos auxílio para mudança (passagem, hospedagem, etc.).

Se você se encaixa neste perfil, envie seu curriculo em inglês para mim (gc AT yahoo-inc.com) com uma lista dos últimos 3 livros técnicos que leu. Não esqueça de colocar links para o seu Twitter, LinkedIn, GitHub e o que mais você achar relevante e que pode nos ajudar a te conhecer melhor. :)

Update: mais detalhes sobre a vaga (em inglês) na página de desenvolvedores do Meme.

Alguns pensamentos sobre “documentação ágil”

Monday, September 20th, 2010

Existe um mito de que não se documenta em projetos que usam metodologias de desenvolvimento ágil. Não é bem assim, aliás, não chega nem perto de ser verdade.

A grande diferença entre projetos “tradicionais” e de desenvolvimento ágil é que os processos tradicionais geralmente são bastante prescritivos e você tem que documentar tudo que estiver definido no processo (que geralmente é muita coisa). Você não pensa no que está fazendo, simplesmente segue o que foi definido e escreve documentos. Em métodos ágeis não há prescrição de documentação (e o manifesto ágil fala também sobre “software funcionando mais do que documentação”), mas isso não significa que você não pode documentar nada. Muita gente confunde isso e diz que nunca se deve documentar em projetos “ágeis”, o que é um grande engano. Em projetos ágeis você pode documentar sem problemas desde que seja necessário de fato. A idéia é que você não deve perder tempo com nada que não seja requerido de verdade para o projeto.

Já participei de projetos onde documentar foi extremamente necessário. Por exemplo, uma vez trabalhei num projeto com vários times onde nem sempre os desenvolvedores estavam no mesmo espaço físico, portanto era preciso documentar alguns pontos chave da arquitetura e ambiente para que todos pudessem trabalhar sem problemas. Também já participei de situações onde meu time desenvolvia componentes que precisavam ser usados por outros times, e esses componentes precisavam estar bem documentados para que os outros times pudessem trabalhar adequadamente. Note que isso é totalmente diferente de documentar o projeto inteiro ou escrever dezenas de casos de uso. Documentamos apenas o que fazia sentido ser documentado.

Enfim, há diversas situações onde você pode precisar documentar por diversos motivos. Para te ajudar a decidir quando documentar e como documentar, veja a seguir alguns princípios do que chamei de “documentação ágil”. Essas são apenas algumas práticas úteis e princípios importantes que observei ao longo do tempo em diversos projetos de que participei. Certamente existe muito mais do que isso, mas vamos lá:

Documentação não substitui comunicação

Em projetos tradicionais, muitos documentos são usados para comunicar idéias entre o Analista e o Programador, com QA e por ai vai. Em desenvolvimento ágil o objetivo da documentação é registrar as informações por outros motivos (como os motivos acima). Se você estiver se comunicando por documentos, você já deixou de ser ágil há muito tempo. Documentação não deve ser usada para substituir a comunicação intensa e constante entre os membros do time.

Documentação não pode ser perecível

Documentação tem que ser leve e não pode ser perecível, ela deve ser durável. Se você documenta algo que precisa ser modificado todo dia, existem grandes chances de você esquecer de atualizar a documentação e ela passa a ficar desatualizada. É melhor não ter documentação do que ter documentação errada. Além disso, se você precisa mudar a documentação toda hora significa que você está se aprofundando demais nos detalhes, e então a documentação vai “quebrar” a cada linha de código que você escrever. Quando estiver documentando, pergunte-se: “daqui a algum tempo essa documentação ainda será válida?”. Faça documentação durável. Não entre num nível de detalhe que te faça mudar a documentação o tempo todo (a não ser que você realmente precise disso – e mesmo assim pense se não dá pra fazer de outro jeito, por exemplo, automaticamente).

Documente o necessário, e não mais do que isso

Assim como você deve implementar apenas o necessário para entregar uma funcionalidade e não mais do que isso, você deve documentar apenas o que for necessário e nada mais do que isso. Não perca tempo escrevendo documentação que nunca será usada por ninguém. Se ninguém precisa usar a documentação, então ninguém deve documentar. Documento tem que ter um motivo, documentar sem uma necessidade real não faz sentido

Documentar tem que ser fácil

Documentar tem que ser rápido, não pode dar trabalho. Use ferramentas como wikis, geradores de documentação (como o Sphinx) e por aí vai. Se for fácil documentar, as chances de você fazê-lo serão maiores. No caso de não usar wiki (ou alguma coisa online/web), use ferramentas para publicar a documentação automaticamente. Se a documentação for fácil de ser acessada (e tiver busca) ela fica mais útil. Além disso, prefira usar uma tecnologia fácil e conhecida para que todos os membros do time possam documentar. Por exemplo, se você escolher usar LaTeX, você está reduzindo as chances de designers documentarem, pessoas de negócio e outros membros não-programadores de um time.

Documentação faz parte do “Definition of Done”

Se o seu projeto precisa de documentação por qualquer motivo, a documentação deve fazer parte da “Definition of Done”. É melhor documentar no momento que as histórias estao sendo desenvolvidas – quando o conhecimento está fresco na cabeça – do que acumular um monte de débito e ter que pagar de uma vez só – quando você vai precisar conferir um monte de coisas que já estão prontas para documentar com precisão, o que vai te dar mais trabalho e consumir mais tempo.

Documentação no código pode ser um “code smell”

“Code smell” é um sintoma no seu código que pode indicar um problema maior. Muitas vezes códigos precisam ser documentados porque eles são desnecessariamente complexos. Sempre que possível prefira refatorar o código para ele ficar mais fácil de entender ao invés de escrever comentários (até porque muitas vezes o código muda e o comentário fica lá desatualizado, e isso acaba mais atrapalhando do que ajudando). Tenha uma boa suite de testes (uma suite bem escrita e organizada é uma especificação executável), use Domain-Driven Design para expressar melhor o domínio do software, metáforas, tenha um design simples, use design patterns, enfim, é melhor fazer com que o software seja mais bem escrito e não mais bem documentado.

Yahoo! procura Ninjas

Thursday, January 14th, 2010

Estamos procurando Desenvolvedores e Scrum Masters Ninjas para integrarem nossa equipe no Yahoo!

Nosso time é o que chamamos de “Innovation Cell”, que é algo como uma incubadora de projetos, responsável por pesquisar e criar novos produtos. Atualmente nosso carro-chefe é o Yahoo! Meme, que foi inteiramente desenvolvido no Brasil no último ano e já está em vários outros países como Indonésia, Filipinas, México, Argentina e Taiwan.

Desenvolvedor Ninja

Os Desenvolvedores Ninja serão responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção de aplicações web, em especial o Yahoo! Meme e outros aplicativos de integração com redes sociais. É imprescindível ser faixa preta em Python, PHP ou JavaScript e conhecer bem pelo menos uma segunda outra dessas três. Mesmo sendo essas as principais linguagens que usamos por aqui, precisamos de desenvolvedores multidisciplinares que saibam usar diferentes tipos de ferramentas – porque nunca sabemos quais produtos virão no futuro e que tipos de vantagens poderemos ter usando ferramentas diferentes.

Tão ou mais importante do que isso é ter ótimos conhecimentos sobre desenvolvimento ágil e ser capaz de trabalhar com TDD, entender sobre CI e a sua importância, automatização de rotinas/build/etc., melhores práticas de desenvolvimento de software, Orientação à Objetos, Domain-Driven Design e tudo mais que puder ser relevante para ajudar a construir software confiável e manutenível de forma rápida e com ritmo/qualidade sustentável. Experiência com automatização de testes com Selenium ou Webdriver também é essencial.

Como desenvolvemos produtos de escala mundial, é necessário ter experiência com aplicações de alta performance e disponibilidade, identificação e otimização de gargalos de performance, escalabilidade, caching e sharding. É importante também ter bons conhecimentos de pelo menos um tipo de Unix e seus derivados.

Conhecimentos de OpenSocial, desenvolvimento de mashups, arquitetura de serviços e experiência com uso e desenvolvimento de APIs (REST, YQL, etc.) são diferenciais.

Scrum Master Ninja

O Scrum Master Ninja deverá ajudar o time de desenvolvimento a produzir no máximo da sua capacidade. Sua missão será organizar e facilitar os Sprint Plannings e Reviews, bem como Retrospectivas e o que mais for necessário para suportar os times de desenvolvimento e produto. Ele deverá identificar e remover impedimentos, ajudar o time a manter o foco mas dando todo o espaço e autonomia que ele precisa para se auto-organizar e gerenciar. É necessário já ter tido alguma experiência anterior relevante nesta posição.

Como o Yahoo! é uma empresa que em sua maioria ainda trabalha com métodos tradicionais de desenvolvimento, esta pessoa também será responsável por fazer com que o time esteja dentro das normas da empresa, gerando relatórios para as células de gerenciamento de projetos e fazendo algum trabalho burocrático de registro e comunicação de métricas.

Queremos um Scrum Master influente, que seja capaz de entender questões técnicas mesmo que em alto nível, que seja apaixonado por procurar maneiras de melhorar o processo de desenvolvimento, construtivo na hora de resolver problemas e solucionar conflitos e com muita vontade de descobrir novas maneiras de trabalhar com métodos ágeis. O Yahoo! é uma empresa que ainda está engatinhando em métodos ágeis e por isso precisamos de alguém com muita disposição e vontade de mudar a empresa!

Por último, experiência com XP, Lean Software Development, Kanban e diversos métodos ágeis são diferenciais.

Continuando…

Para ambas as posições é necessário inglês avançado, o que quer dizer que você deve ser capaz de conversar e ler/escrever em inglês sem problemas (e eventualmente ser entrevistado em inglês caso necessário).

Estamos procurando por pessoas criativas, que gostem de inovação, de pesquisar e identificar novas tendências e de encarar desafios complexos com agilidade e velocidade. Nosso time é pequeno, jovem e nosso ambiente está em constante mudança e evolução. Queremos pessoas irreverentes, que gostem de desafios, com idéias novas e com vontade de criar produtos incríveis!

A empresa oferece contratação apenas por CLT e benefícios como plano de saúde e ticket refeição. Estamos localizados na Vila Olímpia em São Paulo. Vamos dar preferência para pessoas de São Paulo mas também vamos olhar com carinho currículos de pessoas de fora e daremos auxílio para mudança caso necessário.

Se você se encaixa em algum destes perfis, mande seu curriculo em inglês para mim (gc AT yahoo-inc.com) com uma lista dos últimos 3 livros técnicos que leu. Não esqueça de colocar links para o seu Twitter, LinkedIn, GitHub e o que mais você achar relevante e que pode nos ajudar a te conhecer melhor. :)

2 anos de Scrum e Agile na Globo.com e algumas coisas que eu aprendi

Friday, December 4th, 2009

Já se passaram pouco mais de 2 anos desde que começamos a trabalhar oficialmente com Scrum e Agile na Globo.com e um pouco mais de 2 anos e meio desde que a coisa toda começou de fato.

Depois de trabalhar diariamente com processos ágeis e uma porção de times diferentes na Globo.com, minha sensação é a daquele dito popular que diz que quanto mais você sabe de alguma coisa, mais você descobre que tem que aprender. De tempos em tempos surgem idéias novas excelentes e as vezes são coisas tão simples que eu me pergunto porque nunca tinha pensado nelas. Ou então algumas idéias que não deram certo no passado voltam à tona, são colocadas em prática e passam a funcionar muito bem. Sempre que eu acho que já aprendi como alguma coisa funciona alguém aparece com uma idéia melhor e me prova que eu estava errado em achar isso.

Me lembro quando perguntei lá no início para o Boris Gloger sobre o tempo que levaria para as coisas acontecerem. Na época ele falou que para uma empresa do tamanho da Globo.com certamente levaria de 2 a 4 anos para as coisas mudarem de fato. Eu achei um exagero e que ele estava louco, mas era eu que não tinha noção do tamanho da coisa toda. Ele estava certo.

Infelizmente eu não tenho uma história romântica para contar e estaria mentindo se dissesse que as coisas são maravilhosas depois que você adota Agile, Scrum ou o que quer que seja. Muito pelo contrário, os problemas começam a aparecer e tudo fica caótico. As vezes a quantidade de problemas chega a ser enlouquecedora e minha insônia aumentou consideravelmente depois disso. Mas eu não tenho nenhuma dúvida de que os processos ágeis são os que mais se adaptam às características de projetos de desenvolvimento de software, mais do que qualquer outra coisa que eu já tenha usado. Tivemos muito mais sucesso do que em qualquer outra iniciativa na história da empresa e as coisas acontecem muito mais e muito melhor do que aconteciam antes, mas mesmo assim ainda temos um caminho muito longo pela frente.

Hoje eu consigo entender com mais clareza o real sentido do empirismo que tanto se fala. Mesmo com pilhas de livros sobre desenvolvimento ágil na minha prateleira, eu olho para trás e vejo que o processo de “tentativa e erro” foi muito mais importante para o meu aprendizado do que qualquer teoria. Várias coisas escritas nos livros deram certo para alguns times e não deram para outros, e no fim das contas o que ficou foi uma mistura de todas essa experiências. Fomos fazendo as coisas, vendo o que dava certo ou errado, mudando, adaptando e seguindo em frente. Hoje não dá pra dizer que a Globo.com usa Scrum, XP, Lean ou Kanban. Você pode encontrar todos os seus sabores preferidos de Agile por aqui, às vezes misturados e até mesmo bem customizados e diferentes do tradicional.

Nesse tempo todo vivenciei muitos problemas, muitos sucessos, muitas derrotas, muitas falhas e muita mudança. Eu queria poder dizer que encontrei o Santo Graal do desenvolvimento ágil, mas dificilmente isso existe. E se existir, provavelmente o da minha empresa será diferente da sua e por ai vai. Porém, eu posso falar de algumas coisas que eu aprendi e que talvez possam ser úteis para outras pessoas e empresas:

Você sempre estará em transição.

Basicamente eu não acredito mais em transição ágil como eu já li por ai, que parece uma coisa que tem inicio, meio e fim. Hoje eu percebo que sempre se está em transição. Sempre surgirão projetos novos com características diferentes e sempre será necessário ajustar e se adaptar. Isso tudo fora que as pessoas e os times também mudam, e ai começa tudo denovo. É um trabalho que nunca acaba.

É muito fácil começar a fazer Scrum, o difícil é vencer a resistência das pessoas.

Grande parte do meu tempo nesses anos foi investido em quebrar barreiras e a resistência das pessoas. E não estou falando de diretores ou gerentes, às vezes os piores problemas estão dentro dos times. Os mais diversos tipos de problemas acontecem: tem gente que tem medo de trabalhar em par e expôr suas fraquezas para os outros, tem gente insatisfeita na empresa que envenena iniciativas, enfim, acontece de tudo. É muito importante trabalhar com pessoas bem intencionadas, comprometidas e que acreditam no que estão fazendo e que acreditam que as coisas sempre podem (e devem) ser melhoradas.

As pessoas precisam estar felizes.

É importantíssimo que a empresa reconheça seus talentos, que eles ganhem o que merecem e que eles trabalhem num ambiente agradável. Ninguém trabalha direito e dá 100% do seu potencial se não estiver feliz e satisfeito com a empresa. Pessoas infelizes e insatisfeitas podem acabar com um time inteiro, por isso a empresa tem que dar o primeiro passo e dar todas as condições para que isso não aconteça e, quando acontecer, resolver o problema o mais rápido possível.

Se o foco das pessoas for em “fazer telas”, “testar” ou “escrever software”, você está perdido. O foco das pessoas deve ser o produto, e não a sua função.

Muito desenvolvedor não gosta de fazer teste exploratório “porque isso é função do cara de QA”. Muito designer não gosta de fazer CSS e HTML porque isso é coisa de “desenvolvedor de front-end”. Bullshit! Imagine se um zagueiro está com a bola na linha do gol e diz que não vai fazer o gol porque não é atacante? Não tem essa, o foco é ganhar o jogo, entregar o produto, deixar o cliente feliz, não importa fazendo o que. Com o tempo você descobre a receita do time (quantidade de pessoas de cada especialidade) para que as pessoas passem a maior parte do tempo fazendo sua especialidade, mas isso não significa que elas não devem fazer ou entender de outras coisas.

Escalar não é facil. Aliás, se for possível, não escale nunca.

Times ágeis funcionam melhor quando são pequenos, porque o universo de pessoas é menor e a comunicação é melhor, as pessoas confiam mais no resto do time e por aí vai. Quando o número de pessoas e de times aumenta, a comunicação fica problemática e isso gera uma porção de problemas, desde coisas triviais como conflitos de merge até coisas mais complexas de resolver como falta de confiança, dificuldade em mudar de direção, dificuldade de passar a visão do produto, pessoas querendo aparecer mais do que outras e por aí vai. Faça um teste: reuna 30 amigos seus e tentem combinar um lugar para almoçar em no máximo 2 minutos. Repita o teste com 3 amigos e compare os resultados. Foi possível combinar um único lugar de forma unânime? Quanto tempo levou? Quais foram os conflitos de interesse? Qual foi o nível de barulho, stress e insatisfação das pessoas? Ter mais pessoas ajudou a fazer com que a decisão fosse mais rápida ou mais demorada? Talvez esse não seja o melhor exemplo do mundo mas vai ser bem fácil de perceber como times grandes se organizam com muito mais dificuldade.

Boas práticas de engenharia e desenvolvimento ágil como automatização, testes, refatoração, programação em par, integração contínua e TDD são fundamentais, imprescindíveis, inevitáveis, totalmente obrigatórias.

Todos os grandes saltos de qualidade e produtividade que demos na história da evolução da Globo.com foram porque essas práticas foram intensificadas e usadas com mais disciplina, e todas as vezes que elas não recebem a devida importância a velocidade diminui, a produtividade baixa e o time entrega menos (e com mais defeitos).

Um dos “problemas” com o Scrum é que ele não fala nada sobre usar essas práticas. Isso é proposital porque o intuito era que ele fosse bastante genérico e simples, mas como muitas pessoas gostam de seguir o livro cegamente sem pensar, elas acabam achando que não é necessário fazer o que não está escrito, e daí a probabilidade de fracasso é gigantesca. Você pode usar Scrum para produzir um marca-passo, por exemplo, mas você seria louco de não testá-lo exaustivamente só porque não está escrito? Você tem que fazer, porque é uma necessidade imposta pelo tipo de projeto. Com software não é muito diferente: se você não faz TDD, seu código fica pouco testável, e consequentemente você refatora menos ou tem dificuldade para fazê-lo. Consequentemente o tempo para implementar novas funcionalidades aumenta cada vez mais e como o cliente está sempre cobrando mais e mais coisas, você passa a testar menos para dar tempo de fazer mais funcionalidades. E por aí vai (para o buraco).

As regras são excelentes quando você não sabe o que está fazendo. Depois que aprender, quebre-as.

Geralmente quando as pessoas começam com Agile o que se recomenda é que você siga as regras à risca por algumas iterações até que você aprenda e que o processo esteja “no sangue”, e só depois que possíveis customizações devem ser feitas. Muita gente confunde isso com “sempre siga as regras à risca”. Por exemplo, hoje alguém me convenceu numa conversa que o Sprint Planning 2 do jeito que um determinado time estava fazendo estava bem inútil, uma grande perda de tempo. A sugestão foi fazer uma coisa mais “just-in-time”, ou seja, na hora que a história começar a ser desenvolvida. Muita gente pode falar que “ah, mas não é assim que o Scrum funciona” ou o clássico “aqui na empresa nós não fazemos desse jeito”. Se você tem um bom motivo para mudar as regras do jogo, discuta o assunto com o time e implemente as melhorias. Não existe essa coisa de “as regras do Scrum”, existem times produtivos com alta capacidade de adaptação e em constante evolução ou times que passam 50% do tempo discutindo o processo e não deixam o cliente feliz.

Trabalhar num ambiente ágil é muito muito muito mais divertido.

Acabei de passar quase 40 dias de férias e em conferências. Muita gente estaria odiando voltar para o trabalho depois disso, mas eu gostei. Quando eu cheguei hoje na empresa depois de mais de 1 mês a minha mesa já não era mais minha e eu não achava meu computador. O escritório mudou totalmente e o time que eu estava está todo misturado. Quando eu entrei na sala as pessoas estavam em pé discutindo, rabiscando no quadro e o barulho estava alto pra caramba. Depois de contar as novidades, de almoçar e de alguns updates, passei o resto da tarde programando em par numa tarefa que nem eu e nem o meu par faziamos idéia de como resolver, mas juntos descobrimos como fazer e resolvemos o problema. Foi um dia caótico porém muito produtivo e muito divertido, como a maioria dos que eu tenho. Tudo muda muito e está em constante evolução, e cada dia é um novo desafio. Se você gosta de ficar escondido atrás da “baia” e tem dificuldades em dividir o seu teclado com um amigo, recomendo fortemente que você não use Agile.

Agile não é o Santo Graal.

Nenhum processo de desenvolvimento (ágil ou não) é perfeito. Muita gente gosta, muita gente não gosta, alguns não se adaptam, outros se motivam a cada dia com os novos desafios e é assim que as coisas funcionam. <ironia> “Agile é tão perfeito” </ironia> que quando as coisas dão errado é muito mais fácil culpar o seu processo e reclamar que ele não funciona. Bullshit! Como o Jeff Patton fala, as pessoas fazem isso porque o processo não vai se defender de você e porque é muito mais dificil assumir e enxergar os problemas de verdade. Uma das chaves de ser bem sucedido nesses processos é entender que eles são apenas ferramentas muito simples e que se não estão funcionando é porque você precisa encontrar e resolver algum problema da sua empresa, do seu time, das pessoas ou do que quer que seja. Não bote a culpa no processo.

As pessoas são mais importantes que o processo. Foco nas pessoas.

São elas que fazem tudo acontecer. Quanto mais agentes de mudança sua empresa puder ter, melhor. A empresa tem que reconhecer essas pessoas e motivá-las para que elas motivem ainda mais seus pares e assim por diante. É preciso dar liberdade para elas criarem, tentarem coisas novas e errarem sem medo de serem repreendidas. Faça de tudo para que todos estejam felizes e motivados. Resolva os conflitos. Coloque tudo em pratos limpos. Trate todos com respeito e como amigos. Faça as pessoas crescerem e deixe (e ajude) que elas tenham visibilidade dentro da empresa. De todas as coisas que eu vi até hoje, nada é mais eficaz do que ter as pessoas certas do seu lado.

Nada disso é definitivo e eu posso mudar de opinião a qualquer momento sobre qualquer uma dessas coisas. Aliás, hoje numa conversa aprendi que é ótimo mudar de opinião, porque significa que você aprendeu alguma coisa nova/diferente que te fez pensar de uma forma nova/diferente e, portanto, você evoluiu. Fica então a última:

Crie sua opinião, aprenda mais e mude sua opinião. Esteja em constante evolução.

[EDTED Florianópolis] Eu fui!

Sunday, May 24th, 2009

Nesse último sábado estive em Florianópolis participando do 14o. Encontro de Design e Tecnologia Digital (ou simplesmente #edted para os “Twitteiros”). O evento já passou pelo Rio de Janeiro e São Paulo e ainda vai passar por mais 6 cidades até o fim do ano (veja a programação).

Nas outras duas cidades percebí que minha apresentação ficou confusa porque fiz uma mistura de tecnologia com processo de desenvolvimento que eu senti que não deu muito certo. Então em Floripa decidi jogar todo o plano fora e fazer um totalmente novo, separando em duas apresentações.

Introdução a metodologias ágeis

Nessa apresentação tentei explicar metodologias de desenvolvimento ágil de software da forma mais simples e mais abrangente possível. Meu objetivo era fazer algo que pudesse servir tanto para quem nunca teve nenhum contato saber do que se trata como para quem já conhece aprender alguma coisa nova. Para isso eu fiz um paralelo com algumas historinhas e acabou virando uma apresentação bem humorada, despojada e (acredito eu) fácil de entender. Pelos comentários que li no Twitter parece que dessa vez “acertei a mão”. :)

No final falei de alguns livros para se aprofundar no assunto que foram:

Python Coding Dojo: O primeiro passo para se tornar um programador Python Samurai

Nos últimos meses tenho trabalhado bastante com Python e tenho gostado muito. Graças a isso e a confiança do pessoal da Arteccom no meu trabalho, resolvi fazer uma coisa bem diferente e um pouco ousada: tentar ensinar Python em apenas duas horas usando um formato de Coding Dojo! Essa apresentação foi uma cópia da minha apresentação no PythOnCampus, porém dei uma reduzida no conteúdo, adicionei uma breve introdução sobre Coding Dojo e troquei o formato para ter uma seção prática de programação.

Apesar de ter conseguido fazer uma boa introdução e passado bastante informações sobre a linguagem, é claro que o objetivo não era fazer com que as pessoas saissem de lá sabendo fazer tudo em Python. Elas apenas tiveram um primeiro contato com a linguagem, viram que não é nenhum bicho de 7 cabeças (muito pelo contrário) e ainda se divertiram programando em par no palco, fazendo TDD e resolvendo desafios de programação. Me surpreendi pela procura/interesse do pessoal e pelo feedback me parece que também deu certo.

De quebra também mostrei para o pessoal como funciona um Dojo, quais os objetivos e benefícios. É uma prática muito legal e muito fácil de fazer, qualquer um pode (e deveria) organizar um Dojo na sua empresa ou com seus amigos.

Para quem quiser saber mais sobre o que vimos:

Não vou disponibilizar os slides porque eles em sua maioria só tem um monte de fotos e palavras desconexas que não servem pra nada sem mim, são apenas um suporte para a apresentação. Além do mais, não quero fazer spoiler para o pessoal das outras cidades.

É isso aí pessoal, obrigado pela recepção calorosa e pelo bate papo! Nos vemos na próxima! ;)

[PythOnCampus-RJ] Eu fui!

Monday, May 11th, 2009

Adorei participar do PythOnCampus nesse último sábado e conhecer várias pessoas muito legais da comunidade Python carioca (que não vou citar para não correr o risco de esquecer alguém)! Vejam as fotos no blog da comunidade PythOnRio.

Minha palestra sobre Testes e Qualidade de software em Python foi bem divertida! Quando percebí que a galera estava bem interessada eu deliberadamente estourei totalmente o tempo e ficamos quase duas horas falando sobre conceitos de testes, TDD e outras práticas de XP, doctest, unittest, pMock, Pyccuracy e por aí vai… Mais do que teoria, vimos bastante código Python!

Para quem não conseguiu anotar, a bibliografia que recomendei no final foi a seguinte:

Nas próximas semanas o PythOnCampus será repetido em outras faculdades pelo Rio de Janeiro. Acompanhem o site da comunidade PythOnRio para ficarem por dentro das datas e dos detalhes.

[Encontro Locaweb] Eu fui!

Thursday, May 7th, 2009

Ontem estive em Salvador a convite do meu amigo Fabio Akita para participar do 11o. Encontro Locaweb de Profissionais de Internet. O evento estava bastante legal e eu gostei bastante das únicas duas palestras que assisti, uma do Galileu Vieira (que gostou da minha camisa sobre wingdings) da Microsoft sobre inovações relacionadas a fotografia e Silverlight e outra da Cíntia Assali do Google que foi um “medley” sobre todos os produtos (incluindo coisas que eu não conhecia como o Google Ad Planner). Quanto mais eu aprendo mais eu vejo que sempre tem coisas pra aprender. :)

Enquanto o Akita se diverte na Rails Conf eu fiz uma apresentação sobre Agilidade e Qualidade em projetos de software. Não vou publicar o PDF da apresentação aqui porque os slides não tem a menor graça e o menor valor se eu não estiver apresentando (já que a maioria deles são fotos e desenhos). No entanto, seguem alguns links para quem quiser se aprofundar no que falamos:

Espero que tenham se divertido como eu me diverti! :)

Agile indo para o buraco?

Saturday, November 22nd, 2008

Acabei de voltar de férias, já comecei a recuperar o atraso do meu Google Reader e não demorei muito para me deparar com a polêmica do momento…

Sei que muitos já fizeram isso mas não poderia deixar de comentar sobre o post do James Shore sobre o declínio e queda das metodologias ágeis. Recomendo a leitura do post, ou no mínimo do resumo do InfoQ.

O ponto do James Shore é muito simples: as pessoas estão querendo ir direto para a sobremesa e esquecendo de comer seus vegetais. Agile é muito mais do que desenvolver iterativamente, fazer stand-up meetings e planejamentos ágeis. Não dá para ignorar todas as práticas de engenharia de software que realmente fazem com que a produção e mudanças em softwares sejam ágeis, sem contar todos os princípios e práticas que a princípio podem não fazer muito sentido – como por exemplo exigir que o cliente esteja presente – mas no final fazem uma diferença enorme.

Outra polêmica muito grande é sobre a “popularização” do Scrum e seu mal uso. Como disse o Uncle Bob em um excelente post, usar uma metodologia ágil pura e simplesmente não faz com que você faça algo bom automaticamente. É perfeitamente possível fazer desgraças de design usando XP e com toneladas de código gerado com TDD, por exemplo. Será que ainda não deu para perceber que o caminho não é se apegar a metodologias e nomes? Elas são simplesmente uma porta de entrada!

Acho que isso tudo aconteceu porque com o “surto” de adoção e procura das metodologias ágeis, do dia para a noite surgiram milhares de especialistas ágeis. Esses agilistas espertalhões surgiram com dezenas de teorias malucas, princípios absurdos e uma quantidade incontável de barbaridades. O mais triste é ver que essas barbaridades são tantas que podem ser encontradas facilmente em listas de discussões, cursos, revistas, blogs e por todos os lados!

Estão pipocando comentários indignados (e com razão) sobre a deturpação de Agile, como o Christiano Milfont que comentou sobre a combinação estranha de Agile e CMMI, do Fernando Meyer sobre as pessoas não terem o pé no chão em relação ao Scrum, do Rafael Mueller, Phillip Calçado, Ivan Sanchez, José Papo e muitos outros comentando sobre o post do James Shore… Parece que muitas pessoas na comunidade – asssim como eu – têm receio que realmente estejamos entrando numa era de declínio das metodologias ágeis causada pelo seu mal uso e péssimo entendimento.

É realmente triste ver as metodologias ágeis sendo estupradas, é vergonhoso ver pessoas falando abobrinhas gigantescas sobre Scrum sem terem a menor idéia de como funciona e é enojante ver mensagens nas listas de discussões de pessoas que conseguem quebrar todos os valores do manifesto ágil em menos de um parágrafo. O triste resultado disso é que já dá para perceber em algumas pessoas o início de uma rejeição à metodologias ágeis…

Seja XP, Scrum, Lean ou qualquer outra, as metodologias ágeis serão tão boas e darão resultados tão bons quanto as pessoas que as usam.

Cuidado com os falsos agilistas, eles estão por todos os lados!

[Falando em Agile 2008] Liderando Equipes Ágeis

Thursday, October 30th, 2008

Algumas pessoas me pediram os slides da minha apresentação no Falando em Agile 2008 sobre liderança de equipes ágeis, então decidi disponibilizá-los no SlideShare.

Liderando Equipes Ágeis
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