Um empresa inteira “ágil”?

Conversando no mês passado com meu amigo Siraj ficamos nos perguntamos porque a “filosofia” ágil não emplaca nas empresas como um todo. O que eu quero dizer é que é razoavelmente fácil hoje em dia encontrar o departamento de desenvolvimento de produtos/software de uma empresa usando métodos ágeis, mas o que falta para o RH, Marketing, Financeiro, Administrativo, Comercial e todos os outros departamentos também entrarem nessa?

Quando você começa com desenvolvimento ágil não é só o processo de desenvolvimento de software que muda mas também vários detalhes de como a sua empresa funciona. Por exemplo, é muito difícil imaginar um time ágil que funcione com “comando-e-controle”. Os times são auto-gerenciados, o que implica em um outro estilo de gestão. Ao invés de chefes que cobram, aparecem os líderes-servidores, que dão todos os recursos possíveis para que seus times possam trabalhar e tomar decisões. A base da pirâmide é que passa a decidir e não mais o topo, porque eles são os mais indicados por deterem o melhor conhecimento para fazer isso. Em alguns casos mais extremos em empresas mais modernas como a Semco, são os próprios funcionários que contratam seus gerentes.

Ou seja, quando falamos de métodos ágeis, por mais que estejamos nos referindo aos métodos ágeis de desenvolvimento de software existem uma porção de outros conceitos e filosofias que acabam entrando no mesmo barco por serem tão intimamente relacionados.

Tenho um exemplo para tentar explicar melhor onde eu quero chegar. Uma vez eu trabalhava numa empresa de tamanho razoável que, como várias outras desse porte, tinha um tradicional departamento de RH. Num dia eu tive um problema bem urgente e precisei da ajuda do pessoal do RH. Quando fui conversar com eles, duas coisas desagradáveis aconteceram. Primeiro, eles me trataram mal e como se estivessem fazendo um favor pra mim. Segundo, eles disseram que meu pedido só seria atendido em alguns dias, porque eles tinham muitas coisas importantes para fazer. O que acontece é que minha filha estava muito doente, eu tive um problema com meu plano de saúde e eles não estavam liberando meu atendimento por nada. Um time de RH com a “cultura ágil” saberia em primeiro lugar que, dado que eu sou o principal “usuário” deles, eu mereço atenção, respeito e os meus problemas são os problemas deles. As urgências dos funcionários deveriam ser mais importantes do que qualquer papelada que eles tenham para fazer. E em segundo, mesmo que o backlog deles fosse absurdamente grande, um assunto com tamanha severidade com certeza “furaria” a fila.

Então, quando eu digo que outros departamentos das empresas poderiam ser “ágeis”, não estou sugerindo que eles trabalhem com desenvolvimento ágil de software – o que não faria nenhum sentido – mas sim que eles usem os mesmos conceitos de liderança, times auto-organizados trabalhando num ambiente participativo, baseado na confiança e cooperação, fazendo um movimento e esforço maiores para entenderem quem de fato são seus “usuários” e quais são suas necessidades, criar visões para seus produtos e departamentos (que os ajudariam a tomar melhores decisões) e por aí vai.

Pegando esse departamento de RH que falei acima como exemplo, não seria perfeitamente aceitável que eles fizessem um exercício de personas para descobrirem qual é o perfil dos seus usuários? Não seria ótimo que eles fizessem sessões de chartering, discutissem seus valores, fizessem retrospectivas para descobrirem como melhorar seu processo e assim por diante? Imagine quão transparente e organizado seria chegar na sala deles e ver um quadro de Kanban mostrando sua linha de atividades, o progresso delas e os gargalos da equipe?

Acho que talvez isso não aconteça porque grande parte do material e exemplos disponíveis sobre esses assuntos estão formatados para pessoas relacionadas à desenvolvimento de software. Sim, existem livros como os do Ricardo Semler que estão categorizados nas livrarias como “Administração” ou “Negócios”, mas não sei porque o pessoal de Administração e Negócios não parece se interessar por esses assuntos. Porque será?

Já está na hora desse “fork” entre a comunidade ágil das empresas e as outras áreas acabar. Chega uma hora que parece que existem duas empresas funcionando totalmente diferentes dentro de uma. Precisamos trazer pessoas das outras áreas e outros níveis hierárquicos para as conferências e para o nosso mundo. Vou adorar o dia que eu for na Agile Conference e conversar com Gerentes de RH, VPs de Marketing e outras pessoas que não sejam do departamento de desenvolvimento; ou então quando for nas reuniões de grupos de usuários e não encontrar somente os “agilistas” mas também os administradores, os analistas de recursos humanos, os contadores e por ai vai.

E aí, por onde vamos começar?

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28 Responses to “Um empresa inteira “ágil”?”

  1. Ola Guilherme. Cara tenho um exemplo assim para você. A Samba Tech! Aqui na Samba, depois de implementado Scrum na área de TI, outras áreas da empresa começaram a seguir. Hoje, comercial, financeiro, marketing e operações usam Scrum também. Eles possuem seus próprios projetos no JIRA. Usam whiteboard e planejam seus sprints baseados em metas de venda, satisfação do cliente e outros indicadores. Além de termos uma war room muito bacana com um mapa estratégico de toda a empresa, onde qualquer um tem acesso. A empresa é totalmente horizontal. Nosso CIO senta numa bancada com mais 4 pessoas. Meu Deus, minha bancada é do mesmo tamanho e sentamos apenas eu e mais um. Todos ficamos em um amiente amplo e onde a comunicação é favorecida. Convido vocês a visitarem nosso site (http://www.sambatech.com.br/a-samba-tech.html)
    Abraços

    • Muito legal!!! Como isso tudo começou? De onde veio a iniciativa?

    • Muito bom!

      Só não gostei do marcador de ponto.

        • Guilherme, olhe lá nas fotos da sambatech onde está a frase “Faça o seu login” na parede. Tem um marcador de ponto.

          • Cara, em uma empresa de contratação CLT. Existem leis a serem cumpridas, nem por isso temos horario fixo. Não me lembro de existir alguma proibição contra controle de ponto em modalidades ageis. Nao confunda isso com a maneira que trabalhamos, como medimos produtividade (pontos por sprint) ou controlamos horas.

            • Bom, mesmo assim tenho que concordar com o Daniel que é meio esquisito :)

            • Controlar se o funcionário chegou 9h ou 9h05, somar as horas no fim do mês, tudo isso já transforma sua empresa num belo dinossauro. Talvez o dinossauro esteja “fantasiado de bailarina” mas continua sendo o mesmo velho dinossauro.

              • Cara, triste imaginar que exista alguem com uma mente tao pequena como a sua. Generalizar é sempre uma pessima ideia. Nao temos controle de horas, chegar as 8,9,10 é uma questão pessoal, mas somos uma empresa baseada no regime CLT e temos que informar o numero de horas para o governo. Claro que sua empresa pode mascarar isso e gerar um relatorio no fim do mes, onde cada funcionario afirma ter trabalhado 176 horas. Mas e se ele trabalhou mais? Em momento algum, barramos o uso de banco de horas, folgas. Eu nao vejo problema algum em registrar minhas horas, alias, ja trabalhei em empresas que nao registravam horas, pois eu era PJ, e enquanto aqui trabalho 10-12 horas no dia porque eu quero fazer algo e nao porque eu preciso, numa empresa dinossauro como voce disse, eu contava os minutos para sair depois da 7:59 de trabalho. Voce nao conhece a Samba, e falar isso é perder o direito de ficar calado em publico.

                • Não quero estender mais isto, pois aqui não é o lugar, a despeito das falácias ad hominem. Entretanto, trabalhar 12 horas por dia é somente mais um indício que sua empresa não é ágil. Mas ok, você não precisa me convencer de nada, você só precisa convencer os seus clientes. E creio que muitos deles ficaram convencidos apenas pelos adesivos e pinturas nas paredes da sua empresa (que até são bem legais). Boa sorte.

    • Diego Roriz says:

      Interessante mesmo!!! Há quanto tempo vocês utilizam metodologias ágeis nas outras áreas? Está trazendo resultados positivos?

  2. Marcos Sousa says:

    Eu adoraria ver práticas ágeis acontecendo em todo lugar. Os últimos meses me ensinaram que esta é uma tarefa árdua principalmente em empresas “hierarquizadas”.

    Colocar práticas como estas exigem pessoas extremamente motivadas, apaixonadas pelo que fazem e muita disciplina. Em times de desenvolvimento, já encontrei, por exemplo uma enorme resistência de pessoas que não conseguiam falar nada em retrospectivas.

    Ainda não tenho uma fundamentação sólida quanto a isto, mas acredito que a adoção de práticas ágeis acontecerá a passos mais lentos. Quando as startups começarem a incomodar as grandes corporações e elas começarem a perder espaço no mercado acredito que a adoção será mais rápida e veremos em mais lugares.

  3. Jeferson Koslowski says:

    Devemos começar atraindo pessoas destas outras áreas para os congressos/encontros/treinamentos em métodos ágeis.

    Como o Alexandre Magno comentou em uma palestra, ele sempre encontra as mesmas figuras nos eventos. Essa foi uma das coisas que ele comentou que gostaria de mudar no próximo ano.

    Abraços.

  4. E assim nasce a Gestão Ágil, o desenvolvimento de software ensinando Administração.

    Conversamos rapidamente sobre isso no EDTED de BH…

  5. Como eu te disse, tive oportunidade de ver uma empresa funcionando quase inteira de uma maneira ágil. A ThoughtWorks faz isso para desde o processo de contratação, processo de aplicação de vistos, organização de eventos, processo de catação de clientes, etc… Bem bacana. Tive também uma experiência bastante interessante, uma vez que fui parar no hospital em Sydney, e de tempos em tempos os médicos se encontravam pra discutir os casos que eles estavam tratando…tipo um stand-up meeting, dai discutindo diagnósticos. Isso rendeu até um post :P http://blog.m.artins.net/agile-patient-diagnostic/

  6. AkitaOnRails says:

    Essa é a busca pelo Santo Graal que eu estou faz algum tempo :-)

    Isso se chama “Organização Democrática”, já definida muito bem no livro “The End of Management and the Rise of Organizational Democracy”. http://bit.ly/5ADqVq

    Além da Semco existem outras empresas que seguiram modelos parecidos. Uma delas é a conhecida W.L Gore http://bit.ly/6fOtUZ

    O Ricardo Semler dos Estados Unidos é o Jack Stack que fala sobre “Open Book Management” no livro “The Great Game of Business” http://bit.ly/6C6mtG

    Finalmente, vale a pena acompanhar a WorldBlu http://www.worldblu.com/ que tem como meta incentivar mais e mais empresas a adotar o modelo democrático.

    Uma das chaves principais de tudo isso? Auto-Organização, que não por acaso é a chave de Agilidade. Aliás, os fundadores do Manifesto Ágil já sabiam disso. Por isso mesmo Sutherland e Schwaber foram atrás de Takeuchi e Nonaka quando criaram o Scrum.

    O grande lance é que o mundo Ocidental foi atrás de Fred Taylor e não de Deming, como deveriam. Eis porque as coisas são tão estranhas hoje em dia. Agile é o primeiro passo, Organizações Democráticas é o próximo.

  7. Vinicius says:

    Olá Guilherme,

    Penso que a “auto-organização” das equipes só aconteça pelo fato de haver processos bem claros nos quais o time como um todo pode se basear.

    Não haveria auto-organização em agile se não houvesse as daily meetings, as retrospectivas, as reuniões de planejamento de iteração e por aí vai…

    O time é ágil mas as pessoas são as mesmas. Para que os bons princípios e práticas ágeis sejam usados em outras áreas (de qualquer empresa) tem de haver patrocínio de cima. Alguém precisa comprar o barulho…

    O processo de migração é demorado… Você mais do que ninguém aqui sabe disso; as estórias que você compartilha conosco mostram o difícil – porém gratificante – caminho de se trabalhar com processos ágeis.

    Grande abraço

  8. Edson de Lima says:

    Acredito que um grande problema é o medo da mudança. Apenas mencionar “gestão democrática” para um gerente pode te levar a ter de se explicar diante do seu chefe.
    E o mais curioso é perceber que o medo é muitas vezes infundado, pois muito de gestão democrática já pode estar sendo praticado na empresa sem que o gerente percebe, e, na maioria das vezes, goste de como as coisas são.
    Mas quando você da nome aos bois, fala em evoluir o que já está funcionando, arruma uma encrenca danada.
    Felizmente aqui, na Leosoft, estamos conseguindo aos poucos evoluir nesse sentido também.

  9. Ter outros setores ageis eh o sonho de todo desenvolvedor agil.
    Como meu tutor gosta de dizer.
    Nos de TI formamos uma bolha agil na empresa. Esso gera atrito.
    O problema sempre eh o peopleware.

  10. Andre Brito says:

    O mais estranho de tudo é que o Kanban, por exemplo, surgiu na área de gerenciamento…

  11. Renan Lima says:

    Grande Guilherme!
    Rapaz, trabalho em uma grande universidade(privada) e aqui é completamente o oposto do que pode se considerar metodologia ágil.
    É uma empresa típica. Quando há um caos, simplesmente os grandes reunem seus gerentes e falam: Resolvam o problema, caso contrário cabeças vão rolar.

    Acontece que os setores atuam como se fossem cada um uma empresa diferente, conforme vc disse. E eu como programador analista me sinto desconfortavel em sugerir a metodologia. No meu setor(Desenvolvimento Web) é difícil sugerir algo quando as pessoas simplesmente não se importam, quanto mais na empresa toda.

    Neste caso, acho que a iniciativa para ter efeito tem que vir de cima, o que eu acho improvável.

    Abraços rapaz, boas festas pra ti!

  12. Siraj says:

    Hello Guilherme – this is an excellent post. Thank you very much.

    I have thoroughly enjoyed the experience of taking Lean and Agile to the world of business. I am sure you and your friends will also enjoy this experience. Lets talk more and write more.

    Best wishes and happy new year!
    Siraj

  13. Timothy High says:

    Estou seguindo há algum tempo um movimento chamado “Lean Startup” que visa utilizar tecnicas que possam ser consideradas ágeis para definir o produto em conjunto com a definição do mercado e plano de vendas. Não define com uma empresa toda pode ser gerenciada agilmente, mas informa muito sobre o que seria uma empresa ágil:

    * Utiliza um estilo empírico para definir o produto: focaliza em definir o problema e quem vai pagar para uma solução ANTES da solução ser construída. O pessoal de negócios define hipóteses sobre o negócio e sai (in)validando isso direto com os clientes-alvos.
    * Focaliza na construção de um MVP (minimum viable product, ou seja, aquele produto que não é perfeito, mas que quebra o galho o suficiente para que tenham usuários PAGANTES)
    * Procura evitar o desperdício: não crescer a empresa antes que tenha certeza qual o mercado e como vai vender (a razão principal pela falência de start ups milionários)
    * Dá ênfase na necessidade de quebrar as barreiras entre o pessoal comercial e os fregueses, e entre a equipe de desenvolvimento do produto e o pessoal comercial.

    Tem muito o que conversar sobre este assunto também. Os gurus atuais deste movimento são Steve Blank (http://steveblank.com/) e Eric Ries (http://www.startuplessonslearned.com/), e descobri que eles vão fazer um curso sobre o assunto em U.C. Berkeley (minha Alma Mater) este ano.

    É interessante notar que uma abordagem “lean startup” mais ou menos obriga utilzar um processo ágil na parte de desenvolvimento do produto (já que tem uma visão geral, mas nenhuma lista finalizada dos requisitos).

  14. Siraj says:

    Hi Guilherme –

    Once again, thanks for this post and for translating for my benefit. I wish I could read your original post. I miss the emotion and passion which I sense when I listen to you in person.

    Anyway, here are some responses based on what I read above:

    ===============================================
    From your blog – ” That is, when we talk about agile methods, even though we are referring to the Agile software development methods, there are a lot of other concepts and philosophies that we are implicitly talking about (because they are very closely related).”

    and

    “So when I say that other departments of companies could be “agile”, I am not suggesting that they work with Agile software development – which would make no sense – but that they use the same concepts of leadership, self-organizing teams working in a participatory environment, based on trust and cooperation, making a better effort to understand who are their “users” and what are their needs, create visions for their products and departments (that would help them make better decisions) and so on”

    Yes you are absolutely right. Let’s take some of these concepts and philosophies:

    1. AGILE MANIFESTO- The (left hand side of the) Agile Manifesto works very well for business teams (with some modification)

    Individuals and Interactions
    Incremental Business Value (not working software)
    Customer Collaboration
    Responding to Change

    2. I would also add a few more:

    - Limited Work In Progress (this is going to be a great challenge for business teams who love to work on several projects at the same time!!!!)

    - Visualization (”Imagine how transparent and organized would be if the HR team had a big Kanban board in their room showing the activities, progress and their bottlenecks?)

    - Daily Huddles

    - Retrospectives

    - Self Organization

    I am sure you and your friends can come up with more!!

    Just talk to the business and keep the channels open!

    ==============================================

    Next you talk about reading material on this subject (Agile for Business Teams) –

    “I think that this may not happen because much of the material and examples available on these subjects nowadays are formatted for people related to software development. Yes, there are books such as those of Ricardo Semler who are categorized in bookstores as “Business”, but I don’t see much business people really interested in these subjects. Why is that?”

    I would respond that the most of the Agile / Scrum principles and concepts came from the business world. One such reading material is “The New New Product Development Game” – by Hirotaka Takeuchi and Ikujiro Nonaka (I have emailed this article to you) (Harvard Business Review Jan 1986) where they talk about “Moving the Scrum Downfield). There are several other good books and articles that one can refer to. I will send you my list.

    All the best with this!! It is really exciting and interesting to see what else is happening in business.

    ===============================================

    Finally, you speak about next steps:

    “It’s time to finish with this “fork” between companies’ agile communities and the other departments. In Agile adoptions we frequently see after some time two totally different companies working within one. We must bring people from other areas and other hierarchical levels to the conferences and our world and show them these ideas. I will love the day that it will be possible to go to an Agile Conference and talk not only to software people but also HR managers, VPs of Marketing and other guys who are not in the development department; or else when we can find in user group meetings not only the “agilists” but also managers, human resources analysts, accountants and so on.

    And now, where do we start?”

    YES!! I AGREE. Again you are correct.

    I actually believe there are teams – just teams.. no business or IT teams, just teams. We need to get more attention from other players from other teams and similarly we need to provide them our attention.

    IT WORKS BOTH WAYS!!

    So let’s engage them in our conversation, discussions and meetings and let us participate in their meetings.

    Re attending conferences, Why don’t we invite a few businessmen, managers, VPs and Executives to the Agile Brazil conference and ask them for feedback. I think that can be an excellent way to start the dialogue.

    Re your question, “Where do we start?” – All we need to do is START! and the collaboration you speak of will happen.

    Don’t you agree?

    So lets all START…

    See you soon in SFO and lets continue our dialogue!

    Cheers
    Siraj
    Washington DC

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