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Sobre entrevistas (parte 3)

Monday, March 28th, 2011

Em determinada etapa da sua carreira quando você se torna um desenvolvedor mais experiente ou líder de uma equipe, fazer entrevistas passa a fazer parte do seu dia-a-dia. Entrevistar pessoas é bastante cansativo, demorado e difícil, porém é um trabalho que precisa ser muito bem feito para que você consiga contratar os profissionais que melhor se encaixam na sua equipe e empresa.

A última vez que escrevi sobre entrevistas aqui no meu blog foi há três anos. De lá para cá liderei ou participei de algumas dezenas – talvez centenas – de entrevistas e umas dúzias de contratações, sempre tentando resolver o mesmo problema: Quais são as melhores abordagens para conseguir analisar uma pessoa e entender sua experiência tão bem quanto possível em apenas algumas horas?

Durante esses três anos tentei um monte de coisas diferentes, desde fazer filtro de profissionais com uma consultoria de RH até chamar pessoas para trabalharem na minha equipe por alguns dias e ver como elas funcionam. Todas as abordagens tem seus prós e contras e não há uma fórmula secreta para resolver esse problema, mas ficam aqui algumas dicas novas de coisas que deram certo nesses últimos anos:

Entrevista por telefone

Houve uma época em que eu chamava qualquer pessoa para uma entrevista presencial. Basicamente só entrevistava por telefone pessoas de outros estados, mas sempre que possível preferia entrevistar ao vivo porque sempre achei que uma conversa “olho no olho” é muito melhor para conhecer as pessoas. De fato isso é verdade, porém o que acontece é que em geral você recebe uma dezena de currículos e fica muito difícil entrevistar todo mundo. Pior ainda é que muitas vezes o candidato tem um currículo excelente mas na hora da entrevista você percebe que ele na verdade tem um currículo muito bem escrito e não passa disso, ou seja, você perdeu o seu tempo (e o candidato também).

Para resolver esses problemas hoje em dia eu entrevisto praticamente todas as pessoas por telefone. Depois de escolher as pessoas que quero conhecer, marco uma conversa de 30 minutos onde tento explorar conhecimento sobre tecnologias que usamos, valores, interesses pessoais e o mais importante: saber se essa pessoa é mesmo boa ou tem apenas um currículo bonito. Se você não tem idéia de como entrevistar pessoas por telefone, este artigo do Joel Spolsky é um bom começo para aprender.

Com essa abordagem consigo entrevistar um número significativamente maior de pessoas, primeiro porque é uma entrevista mais curta – portanto me sobra mais tempo -, segundo porque sendo por telefone dá para falar em horários mais alternativos – o que facilita a vida de todo mundo e aumenta o número de pessoas que podem participar imediatamente -, e terceiro porque isso diminui drasticamente o número de pessoas que são entrevistadas presencialmente. Deixe para entrevistar presencialmente somente as pessoas que você acha que realmente têm chance de participar do seu time.

Programe e discuta código com o candidato

Dá até vergonha de dizer, mas acredite, no passado (não muito distante) eu já contratei desenvolvedores sem ver uma linha do seu código. Mais vergonhoso ainda é saber que isso é uma prática extremamente comum no mercado. Já vi isso acontecer em inúmeras empresas de todos os tamanhos. O problema disso é que, uma vez que você contrata um desenvolvedor ruim, a trapalhada já está feita, não tem mais como voltar atrás. Você até pode demitir o cara e contratar outro, mas você vai ficar demitindo e contratando até achar alguém que te agrade? Além de ser uma abordagem bem ineficiente, acho que não é ético. Imagine que o profissional estava bem em uma determinada empresa e você o tirou de lá para trabalhar na sua equipe. Por culpa sua ele não só perdeu o emprego antigo como também perderá o novo (porque você não foi eficiente avaliando-o na entrevista).

Evite isso e dedique uma boa parte da sua entrevista a ver e discutir código com o seu candidato. Nesse último ano passei inclusive a pedir para que os cadidatos resolvessem problemas bem simples de programação como um caça-palavras ou um problema simples de criptografia. O objetivo é entender como o candidato organiza seu código, ver se ele escreve testes, saber se ele faz BDUF sem necessidade, se usa design patterns quando faz sentido e por aí vai. Quando o candidato passa por toda essa parte “remota” do processo de seleção, discutimos o código presencialmente e adicionamos algumas novas funcionalidades juntos para ver como ele funciona programando em par/time.

Muitos candidatos acabam desistindo de participar quando vêem que precisam mostrar código. Outros candidatos mandam código mas acabam não indo bem na entrevista presencial porque ficam nervosos de programar “em público”. Infelizmente nesse tipo de abordagem provavelmente teremos falsos negativos, por outro lado dificilmente teremos falsos positivos.

Analise sob vários pontos de vista

Já faz algum tempo que percebi que é muito útil fazer com que os candidatos sejam entrevistados por vários desenvolvedores do time. Nesses últimos três anos, poucas foram as vezes em que os cadidatos não foram entrevistados por pelo menos duas ou três pessoas. É muito útil poder discutir com outras pessoas do seu time sobre as entrevistas. Às vezes você achou o candidato bom, porém outras pessoas perceberam problemas que você não percebeu (e vice e versa). Ou então você ia esquecer de perguntar alguma coisa importante, mas o time que sempre participa junto das entrevistas acaba lembrando de perguntar. A melhor parte disso tudo é que é muito mais fácil errar tomando uma decisão desse tipo sozinho, então quando você está entrevistando em grupo e o time inteiro sai satisfeito de uma entrevista, a sensação de que você está tomando uma decisão certa sobre contratar alguém é muito maior.

Além disso é interessante que o candidato converse com pessoas de diferentes especialidades. Nesse último ano vários dos nossos candidatos conversaram não apenas com desenvolvedores mas também com pessoas de produto, especialistas de processo e por aí vai. Como são pessoas de especialidades bem diferentes, as perguntas que eles fazem são bem diferentes, o que te ajuda a analisar o candidato por vários ângulos.

Vasculhe seu candidato na Internet

Olhar o Github do candidato, Bitbucket e afins é o mínimo que você deve fazer. Eu pessoalmente gosto de olhar o LinkedIn, Facebook e Twitter também, para ter uma idéia do que a pessoa gosta, quem ela segue, o que ela fala e como se comporta. Por exemplo, há não muito tempo um candidato que me mandou currículo tinha escrito no Twitter uma frase bem chata reclamando do seu chefe, do tipo “meu chefe é um idiota”. O que eu espero de um profissional sério é que ele vá conversar com o seu chefe e resolva seus problemas. E se ele não conseguir e o chefe for realmente um idiota, peça demissão e trabalhe em outro lugar. É bem melhor do que ter uma atitude idiota em um lugar público onde todo mundo pode ver – incluindo o seu (ex) futuro chefe.

E por falar em atitudes idiotas…

“No asshole rule”

Existe até um livro sobre isso. Se você quer ser feliz, evite ao extremo contratar “assholes”. Comportamentos do tipo “eu sou mais inteligente que todo mundo e não preciso de ninguém para fazer meu trabalho além de mim mesmo, porque eu sou um rockstar e ninguém tem nada a me acrescentar” podem levar seu time para o buraco (o quase-trocadilho com “asshole” não foi intencional).

Sabe aquele tipo de ambiente onde a fofoca rola solta, com conversinhas venenosas de corredor, onde todo mundo tenta queimar todo mundo? Ou aqueles times onde, se você der sua opinião, alguém vai contrariar só por contrariar para tentar aparecer? Ou então aquelas pessoas que arrumam confusão gratuitamente? Se você não quer ter esse tipo de problema na sua empresa (e eu acho que ninguém quer), o primeiro e melhor passo que você pode dar é tentar ao máximo possível não contratar “assholes”. Mesmo que o cara seja muito bom tecnicamente, na minha experiência é melhor ter um cara “menos bom” mas que trabalhe em equipe, seja construtivo, empolgado e confiável.

Se não for o candidato certo, não contrate

Se o candidato não é a pessoa 100% certa para o seu time, então não contrate. Em alguns casos você vai encontrar candidatos que são quase ideais e pode ser difícil resistir à tentação – porque em muitos casos são problemas que você acha que pode consertar. O problema é que às vezes (como já aconteceu comigo) as pessoas não estão dispostas a mudar e sua vida pode se tornar bem difícil. Hoje em dia prefiro entrevistar mais uma dezena de pessoas e demorar mais um mês para contratar (ou até não contratar) do que correr o risco de errar.

Uma pergunta interessante que você pode se fazer é: Se você estivesse contratando alguém para a SUA startup, você contrataria essa pessoa? Aliás, recomendo a leitura desse artigo do Steve Yegge na íntegra.

E você, o que aprendeu nos seus processos seletivos?

Meu ambiente de trabalho em 7 itens

Monday, January 17th, 2011

O Anderson Casimiro (@duodraco) começou um meme muito legal: “Seu ambiente de trabalho em 7 itens”. Nele você escreve sobre quaisquer 7 coisas do seu ambiente de trabalho que achar mais interessantes e em seguida indica de 3 a 5 pesoas para fazerem o mesmo. O Anderson passou o meme para o Ivo Nascimento (@ivonascimento), que depois mandou para o Bruno Roberto Gomes (@brgomes) e por fim para o Hélio Costa (@hlegius) que me colocou nesta roda.

Então vamos lá, as 7 coisas que mais gosto e acho importantes no meu ambiente de trabalho são:

1) Git + Github

O Git é uma fantástica ferramenta de controle de versão. Sua característica principal é ser um sistema de controle de versão distrubuído, o que significa que você pode criar repositórios locais independentes de um servidor central, por exemplo. Com isso você pode criar facilmente novos branchs e repositórios praticamente sem custo (ou seja, muito rápido). Outra coisa sensacional é que o Git praticamente resolve sua vida com relação a merges. Na maioria das vezes ele consegue “se achar” sozinho e resolver conflitos para você, o que poupa um bocado de tempo quando você está trabalhando em equipe com várias pessoas alterando a mesma base de código.

O Github faz o Git – que ja é fantástico – ficar ainda melhor. O Github mudou para melhor a forma de colaboração entre desenvolvedores em projetos open source. Basta você criar um clone remoto do projeto que deseja contribuir, fazer suas alterações e fazer um “pull request”. Você pode adicionar colaboradores nos seus repositórios ou até mesmo criar um time de colaboradores. Isso é mais ou menos o que as pessoas já faziam antes, o Github apenas entendeu esse processo e criou uma ferramenta excelente para suportá-lo com algumas melhorias. E isso tudo não serve apenas para projetos abertos não, você pode fazer como eu (e muita gente) e por alguns míseros dólares você terá seus repositórios privados para trabalhar nos seus projetos particulares. Hoje basicamente não tenho nada importante que não esteja no Github.

2) Google App Engine

O Google App Engine também é um absurdo. Com ele você pode desenvolver aplicações Python ou Java num estalar de dedos e colocá-las para funcionar numa infraestrutura bastante confiável e rápida. O App Engine oferece banco de dados, cache, storage e várias coisas úteis que te ajudam a focar na sua aplicação e esquecer a infraestrutura. Para os Railers que lêem este blog, o Heroku é um bom quebra galho (mesmo sendo bem mais simples que o App Engine).

3) VMWare Fusion

O VMWare Fusion me possibilita ter vários sistemas operacionais com diferentes browsers para testar minhas aplicações web em uma máquina só. Além disso, como trabalho muitas vezes desenvolvendo coisas que serão servidas com Red Hat Enterprise Linux ou CentOS, posso facilmente criar ambientes de desenvolvimento locais com esses sistemas operacionais e continuar trabalhando no conforto do meu Mac sem ficar com medo das coisas não funcionarem em produção.

4) TextMate

Todo mundo tem seu editor preferido, e o meu é o TextMate. Gosto dele porque é leve, fácil de escrever plugins e snippets e possui umas centenas de plugins disponíveis por aí para trabalhar com qualquer linguagem que já precisei até hoje, suportar sistemas de controle de versão, e por aí vai. Infelizmente não consigo usá-lo para todas as linguagens que trabalho. Por exemplo, quando programo em Java ainda prefiro usar o Eclipse, ou o XCode para brincar com iOS, mas para todo o resto uso o TextMate (ou, quando em servidores remotos, o Vim).

5) Shell

Não tem como sobreviver sem um shell. Eu costumo usar o Terminal do Mac OS X com algumas customizações, e como shell uso o Bash. Além de me possibilitar diagnosticar problemas em servidores remotos, ver logs e etc., também uso o shell para algumas tarefas de desenvolvimento como usar o Git (incluindo resolver conflitos, prefiro fazer manualmente), buscar arquivos, inspecionar minha máquina e por aí vai. Também costumo escrever shell scripts para fazer algumas tarefas pessoais como codificar vídeos com ffmpeg e fazer backups remotos.

6) MacBook + Mac OS X

Os Macs são computadores que simplesmente funcionam. É isso. Meu MacBook Pro é potente e tem um hardware excelente que não me deixa na mão. E quanto ao Mac OS X, ao invés de ficar no meu caminho me pedindo drivers para fazer qualquer coisa ele simplemente funciona e deixa o caminho livre para que eu possa trabalhar. Já se foi a época em que eu tinha tempo para comprar peça por peça e montar meu próprio computador, ou então ficar re-configurando meu xorg.conf a cada update de sistema operacional. :) Hoje não dá mais, preciso focar em coisas mais importantes.

7) Monitor adicional de 24″, teclado e mouse

Nós que trabalhamos intensivamente com computadores não podemos nos dar ao luxo de não ter um teclado, mouse ou monitor confortáveis. O monitor de 24″ é o mais importante do meu setup de trabalho. Usar dois ou mais monitores me deixa muito mais produtivo, além de ser muito mais confortável do que o display do MacBook (porque é gigante). Se você nunca tentou usar dois monitores, não perca mais tempo e tente agora, você vai ver a diferença. Quanto ao mouse e teclado, durante muito tempo usei hardware Microsoft (aliás, isso eles fazem bem) mas recentemente tenho usado o Magic Mouse e um mini teclado sem fio, ambos da Apple.

E para continuar a brincadeira…

Indico mais 5 pessoas para participar:

Colaboração e Open Source dentro da empresa

Thursday, September 24th, 2009

O Github sem sombra de dúvidas mudou a forma como funciona a colaboração em projetos Open Souce. Já existiam alguns websites de colaboração nesse sentido (e até bem conhecidos) como o SourceForge, Google Code, Savannah e vários outros. Todos eles tem várias qualidades mas o Github na minha opinião foi o que conseguiu ser o mais bem sucedido: eles uniram uma interface bem agradável a uma rede social de programadores e o sistema de controle de versão Git.

Colaborar com outros projetos é bem fácil no Github, basta fazer um fork do projeto que eu pretendo colaborar, fazer minhas modificações e depois um “pull request” para o dono do projeto avaliar e integrar (ou não) o meu código ao dele. Antes do Github não funcionava muito diferente disso mas o que ele fez de bom foi facilitar esse fluxo e criar uma rede social bem interessante em torno desse mundo.

Isso é bem diferente de como as empresas normalmente funcionam. No caso da Globo.com, por exemplo, todos os repositórios sempre estiveram amontoados nos servidores CVS e Subversion e consequentemente “escondidos” (pouco visíveis) de possíveis colaboradores. Alguns até tinham permissão de commit restrita para um pequeno grupo e o processo de colaboração era ainda mais difícil. Não dá nem para abrir um branch seu, você tem que fazer as modificações localmente e mandar um patch por e-mail, e o merge geralmente não é muito fácil de fazer quando você tem um grande fluxos de merge para lá e para cá. Imagina então quando você trabalha na versão “v1″ do código e enquanto você produz a “v2″ um outro desenvolvedor pede merge antes de você? Era preciso esperar o merge terminar para dar checkout da versão nova e ficar mais uma vez fazendo o inferno do merge.

No início desse ano resolvemos experimentar usar o Gitorious, que é uma ferramenta similar ao Github porém Open Source e que você pode instalar num servidor da sua empresa. Isso tinha 2 objetivos: (1) criar uma cultura de “enterprise” Open Source e (2) facilitar a colaboração em projetos em que vários times trabalham e commitam ao mesmo tempo.

No início foi um inferno e houve uma rejeição muito grande de muita gente. O modelo de trabalho com o Git é bem diferente do que com CVS e Subversion. Você tem branches (e clones – que é um conceito um pouco diferente) que podem ser locais ou remotos, commits locais que não vão direto para o servidor e pulls/pushes. As pessoas tendem a fazer relações do tipo “o push é o que manda as coisas para o servidor, então ele equivale ao commit”. Mas então o que é o commit do Git? Enfim, não dá pra trabalhar pensando assim, é preciso dar um reset e entender a arquitetura desses sistemas de controle de versão distribuídos para entender que faz sentido sim ter um commit e só depois do push que o código está no repositório (no remoto, porque no local já estava). :)

Também foi difícil aprender a trabalhar com merges. No modelo antigo você evita fazer merges o máximo possível porque o trabalho para fazer isso é enorme. Geralmente você só faz quando acabou de fazer tudo para ter trabalho uma vez só. Ainda bem que existem ferramentas para ajudar (como as ferramentas das próprias IDEs) senão seria complicado. Se você trabalha da mesma forma com o Git geralmente vai se dar mal, porque não existem (não existiam mas estão começando a melhorar) as mesmas ferramentas de merge visual do CVS ou Subversion, e era um parto para fazer a coisa toda funcionar após fazer um merge de uma semana de fork. Com o Git funciona ao contrário: como o merge é automático (na maioria dos casos ele consegue se virar) então a estratégia é fazer merge toda hora, várias vezes por dia, o máximo que der.

Depois de alguns meses de “fricção” hoje já dá para ver um monte de frutos começando a aparecer. Por exemplo, no último sprint do meu time nós precisavamos usar um cliente Python para acessar a engine de busca da Globo.com. Como esse cliente era novo tinha uma série de problemas pequenos que precisavam ser resolvidos, mas o time que é responsável pelo projeto estava com vários compromissos e demoraria 2 semanas para trabalhar nisso. Então o Bernardo e o Andrews decidiram fazer um clone no Gitorious para contribuir com o projeto do time de busca, e eles não só resolveram os problemas como devolveram o código refatorado e com a cobertura de testes bem melhor. O outro time rapidamente integrou o novo código ao projeto e gostou tanto do trabalho deles que eles viraram commiters e agora podem fazer as modificações que forem necessárias em colaboração com o time de busca. Exatamente como funciona no mundo Open Source.

Além desse exemplo, no projeto que estou trabalhando (que é um framework para sites de publicação de conteúdo) temos vários times trabalhando no mesmo código ao mesmo tempo. Nesse momento tem cerca de 10 clones do projeto no nosso Gitorious e talvez cerca de 10 times trabalhando usando o mesmo código para fazer seus “add-ons”. O Git facilita o trabalho dos times para atualizarem constantemente sua base de código com o que entra de novo no branch master do mainline (o repositório principal do projeto) e o Gitorious torna isso tudo mais visível para todos.

Enfim, as vantages que nós passamos a ter com o Git e Gitorious são várias:

  • Todo mundo pode ver facilmente os projetos que existem e quando novos projetos são criados;
  • Todo mundo pode ver o que todo mundo está fazendo e em que estão trabalhando;
  • Todo mundo pode facilmente criar e gerenciar seus projetos (sem precisar do Sys Admin);
  • É bem facil de navegar nos projetos, ver e pegar código dos outros;
  • Todo mundo pode criar seus clones de repositórios para trabalhar em cima do seu código e do código dos outros;
  • Todo mundo pode colaborar de volta sem precisar de um processo complicado para isso;
  • É mais fácil de fazer merges constantes e gerenciar múltiplas colaboracoes simultâneas;
  • Fora as outras features interessantes que o Git tem e os sistemas de SCM antigos não como o stash, clones, merge automático e por aí vai.

Só para dizer um ponto negativo, a documentação de usuários do Git não é das melhores (mas tem melhorado bastante) e alguns comandos não são tão intuitivos (como deletar um branch remoto), mas nada que você não descubra e que não se acostume com o tempo.

Aconselho fortemente a todo mundo que puder que faça isso. Instale o Gitorious e fomente a colaboração entre os desenvolvedores da sua empresa! Se você estiver com muita grana também pode dar uma olhada no Github Firewall Install, que deve ser bem legal mas também é bem caro.

[Encontro Locaweb] Eu fui!

Thursday, May 7th, 2009

Ontem estive em Salvador a convite do meu amigo Fabio Akita para participar do 11o. Encontro Locaweb de Profissionais de Internet. O evento estava bastante legal e eu gostei bastante das únicas duas palestras que assisti, uma do Galileu Vieira (que gostou da minha camisa sobre wingdings) da Microsoft sobre inovações relacionadas a fotografia e Silverlight e outra da Cíntia Assali do Google que foi um “medley” sobre todos os produtos (incluindo coisas que eu não conhecia como o Google Ad Planner). Quanto mais eu aprendo mais eu vejo que sempre tem coisas pra aprender. :)

Enquanto o Akita se diverte na Rails Conf eu fiz uma apresentação sobre Agilidade e Qualidade em projetos de software. Não vou publicar o PDF da apresentação aqui porque os slides não tem a menor graça e o menor valor se eu não estiver apresentando (já que a maioria deles são fotos e desenhos). No entanto, seguem alguns links para quem quiser se aprofundar no que falamos:

Espero que tenham se divertido como eu me diverti! :)

Arquitetura “pull” ou “push”: qual escala mais?

Wednesday, February 25th, 2009

Apesar do que possa parecer, esse post não é sobre git. :)

Conversando com o Peleteiro esses dias ele me deu uma idéia interessante. Ia ser o máximo se houvesse um post automático no meu Twitter toda vez que eu ganhasse um achievement no Xbox! Os achievements são como se fossem medalhas: na medida que você vai jogando os jogos e passando de fase ou conquistando coisas, você vai ganhando mais pontos e mais medalhas. Resumindo, é totalmente inútil mas bem legal.

Como nos últimos tempos andei fazendo uma porção de robôs de Twitter para fazer uma porção de coisas, na mesma hora pensei em fazer mais um deles, que ficaria dando requests na API do Xbox Live até que aparecesse um novo achievement e então ele faria o post.

Na mesma hora me bateu a mesma sensação de ineficiência que tive quando fiz os outros robôs. Pra fazer essas coisas eu tenho que ficar fazendo polling no serviço de “n” em “n” minutos para saber das atualizações… Apesar de ser eficiente nao é lá muito eficaz.

Vou fazer uma brincadeira para mostrar o tamanho do problema. Somando só os robôs que fiz para a Globo.com, eu faço diariamente cerca de 72.000 requests para o Twitter (cerca de 25 robôs x 2 requests por minuto x 60 minutos x 24 horas). Ok, nem todo mundo faz robôs de Twitter, eu sei, mas vamos supor que uma pessoa em cada 100.000 faz robôs que nem eu. Isso significaria que só eu e mais uma pessoa fazemos isso no Brasil inteiro (o que não deve ser verdade, mas vamos continuar assim fazendo a conta por baixo). Então considerando que a população mundial é de quase 7 bilhões de pessoas, temos cerca de 70.000 pessoas fazendo o mesmo em todo o mundo. Sendo assim, pela minha conta de padaria o Twitter recebe algo em torno de 5,04 bilhões de requisições por dia, 210 milhões de requisições por hora, quase 60.000 requisições por segundo (só de robôs)!!!

Ok, o número deve ser bem diferente disso. O fato é que com certeza é muito alto.

Eu faço polling no Twitter para buscar por usuários que falaram uma determinada palavra (usando o RSS da busca do Twitter) e então adicioná-los. Funciona assim: quando uma pessoa escreve alguma coisa que eu estou procurando, eu adiciono ela como amigo(a). Apesar dessa quantidade imensa de buscas e requests, um robô adiciona apenas na faixa de 25 usuários por dia. Se houvesse alguma forma de saber que algum usuário escreveu alguma palavra que eu busco, nesse meu cenário só seria necessário fazer algo em torno de 625 requests por dia (menos de 1% da quantidade que eu faço).

O que eu estou propondo aqui não é nada novo. Além dos mecanismos tradicionais de polling (fazer “pull” de arquivos de tempos em tempos), estes tipos de serviços deveriam disponibilizar um mecanismo para o servidor avisar o cliente que alguma informação que ele deseja está disponível (”push”).

Depois da apresentação “Beyond REST? Building data services with XMPP” que rolou na OSCON 2008, o XMPP entrou na moda como uma possível solução para esse problema. Nessa arquitetura, os clientes se “inscrevem” em um serviço de mensagens instantâneas e mantém uma conexão aberta com o servidor para que, quando determinada informação estiver disponível, ela seja enviada ao cliente ao invés dele ter que ficar fazendo “polling”. Isso reduz consideravelmente a carga de requests recebida pela aplicação, mas é mais difícil de escalar para uma quantidade muito grande de usuários.

Uma solução que surgiu na nossa conversa foi um “pingback ao contrário”. Seria algo como o webhook do Github. Quando o usuário fizer um GET em um recurso, ele poderia mandar um header com uma URL, e quando houvesse alguma atualização do recurso o servidor poderia fazer um GET para esta URL com o objetivo de informar ao cliente que há informações novas disponíveis. Essa solução escala mais do que a primeira, mas tem um lado negativo: não funciona se o cliente não tiver um IP real disponível. No meu caso, por exemplo, que tenho robôs rodando no meu desktop da Globo.com (que não tem IP real), não seria possível usar esse tipo de serviço.

Também dá pra fazer algumas soluções mais criativas usando coisas que a princípio parecem esquisitas mas podem fazer sentido. Por exemplo, um servidor de e-mail como o Postfix poderia fazer esse trabalho com o pé nas costas. Quando o cliente acessasse um recurso, ele poderia informar em um header um e-mail para ser notificado quando houvesse atualização. É uma solução bem fácil de escalar e de fácil implementação – tanto pelo lado do cliente quanto do servidor – apesar de não ser muito comum.

Pelo que eu andei lendo o pessoal do Twitter já pensou nesse problema e para resolvê-lo criaram o Firehose, que é uma solução baseada em XMPP. Como eu falei, o problema não termina por aí – eles terão vários problemas novos para escalar XMPP para uma grande quantidade de usuários.

Enfim, esse problema é bem interessante… Na próxima oportunidade que tiver vou tentar fazer uma prova de conceito de todas essas opções para ver no que dá.

E para aqueles que ainda não entenderam, talvez fique um pouco mais claro agora: escalabilidade é muito mais uma questão de arquitetura de software e infra-estrutura do que de linguagens e frameworks.

Apresentando: simple-db-migrate

Monday, February 16th, 2009

Desde o fim do ano passado tenho me divertido um bocado desenvolvendo em Python e Django.

Apesar de ter alguns detalhes esquisitos (especialmente na implementação de OO), Python é uma linguagem sensacional e muito produtiva! O Django também é ótimo e não deixa nada a desejar para o Rails, porém, as comparações são inevitáveis. Uma das coisas que mais senti falta desenvolvendo com Python/Django foram as migrations do Rails. Na verdade, pra quem está acostumado as migrations também fazem falta em Java, PHP e basicamente em qualquer projeto que os bancos de dados são constantemente modificados e complicados demais para serem gerenciados manualmente, independente da linguagem.

Foi por isso que decidi começar o projeto simple-db-migrate. Inicialmente o objetivo era criar algo parecido com as migrations do Rails para o Django, mas agora o objetivo é (além disso) criar migrations para o que quer que seja.

Para isso ser possível as migrations usam DDL ao invés de uma DSL em Python:

Arquivo: 20090215224601_criar_tabela_pessoas.migration

SQL_UP = """
create table pessoas (
    id int(11) not null auto_increment,
    ... etc. ...
);
"""
SQL_DOWN = """
drop table pessoas;
"""

Na verdade, como as migrations são nada mais do que duas Strings Python (SQL_UP e SQL_DOWN), é possível executar qualquer código Python nas migrations que gerem SQL. No futuro isso irá me ajudar a implementar alguma coisa que use os models do Django para criar a DDL automaticamente.

O fato das migrations serem em DDL faz com que eu possa escrever migrations para qualquer tipo de projeto, independente da linguagem e mesmo que no futuro as migrations também possam ser feitas usando uma DSL Python.

Para ver o simple-db-migrate funcionando, depois de instalá-lo (instruções no site), basta ir para o diretório onde estão as migrations e executar:

db-migrate

Se você não quer ter o trabalho de escrever as suas migrations, no diretório “example” tem uma porção delas prontas. Além das migrations é necessário criar um arquivo “simple-db-migrate.conf” com as configurações do banco de dados:

HOST = "localhost"
USERNAME = "root"
PASSWORD = ""
DATABASE = "migration_example"

O arquivo pode ter outros nomes e não necessariamente você precisa estar no diretório das migrations, basta passar essas configurações para o db-migrate pela linha de comando:

db-migrate --dir=migrations_dir --config=path/to/file.conf

Ou output é algo assim:

$ db-migrate --dir=example --config=example/sdbm.conf
 
Starting DB migration...
- Current version is: 20090211120000
- Destination version is: 20090212120000
 
Starting migration up!
 
===== executing 20090211120001_add_user_age.migration (up) =====
===== executing 20090211120002_add_user_mother_age.migration (up) =====
===== executing 20090211120003_create_table_chimps.migration (up) =====
===== executing 20090212120000_create_table_aleatory.migration (up) =====
 
Done.

E por último, já que eu ainda não tenho muita documentação disponível ainda, para ver todas as opções possíveis da linha de comando basta digitar:

db-migrate --help

O simple-db-migrate ainda está em fase embrionária (na verdade comecei na semana passada), mas já está entrando em uso essa semana em dois projetos na Globo.com, ou seja, possivelmente ele vai evoluir bem rápido. Apesar de ainda ser bem simples, tudo que eu mostrei aqui já funciona.

Agora há pouco criei uma versão inicial da página do projeto no Github pages com algumas instruções para instalação e uso (bem simples mesmo, ainda pretendo melhorar bastante). O código fonte está disponível no meu Github e os tickets podem ser acompanhados no Lighthouse.