Posts Tagged ‘Arquitetura de Camadas’

Síndrome de DAO

Saturday, January 17th, 2009

O assunto Repository X DAO já está bem batido, eu sei, mas é impressionante como isso confunde muita gente até hoje… Muitas pessoas já postaram sobre isso mas eu quero dar meus dois centavos.

Com a popularização do Domain-Driven Design ví muita gente simplesmente renomeando seus XptoDAO para XptoRepository achando que assim estariam aplicando DDD porque “chamar um objeto de Repository é mais semântico que DAO”. Esses dias no Twitter ví uma mensagem assim: “Repositório ou DAO ? Eu gosto do nome repositório porque me parece ser uma abstração mais adequada”. Vamos lá, não se trata somente de nomes diferentes para a mesma coisa.

O padrão DAO têm o objetivo de criar uma abstração da infra-estrutura de armazenamento de dados para a aplicação. Uma camada de persistência é útil porque dá a funcionalidade de armazenamento/persistência de dados sem revelar detalhes específicos da infra-estrutura por trás disso. O armazenamento pode ser feito num banco de dados, em vários bancos de dados, em um webservice, em um arquivo texto, tanto faz, mas do ponto de vista da camada de negócios que obtém esses dados, por exemplo, ela está lidando apenas com busca, alteração e gravação de objetos em algum lugar que nem importa.

Já o padrão Repository tem o objetivo de dar apoio ao domain model fornecendo persistência. Ao contrário do DAO, que é um objeto de infra-estrutura da aplicação e faz parte da camada de persistência, o Repository faz parte do domain model que é parte da camada de negócios.

Domain models (modelos de domínio) fazem sentido quando a aplicação tem regras de negócio muito complexas. Isolar as regras de negócio em um domain model torna mais fácil o trabalho de focar e lidar com essas regras complexas. Porém, para que um software possa funcionar fortemente baseado em domain model (que é a proposta de Domain-Driven Design) é necessário dentre outras coisas que haja algum componente que faça parte desse modelo e permita que se faça persistência de dados – e daí veio o Repository.

No ano passado conversei bastante com o pai do DDD – Eric Evans – sobre isso e para ele o problema é que as pessoas confundem esses dois conceitos porque realmente são bem parecidos. Na maioria dos casos você irá precisar dos dois, porque o domain model fará buscas por objetos em um Repository que por sua vez delegará para o DAO, que é quem entende como é a infra-estrutura de armazenamento de dados. Para ele também não importa se o Repositório é uma classe ou uma interface, o que importa é que os objetos do domain model deverão dempre lidar com busca e persistência de objetos usando a interface do Repository, que tem o compromisso de ser mais semântica do que a do DAO.